segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Era mais um dia de trabalho cansativo, como qualquer outro. Fechei a porta do escritório. Meus ossos doíam e pediam por um longo repouso. Minha barriga também implorava por comida, apesar de que me recusava a obedece-la, e cair direto na cama.
Hoje, por coincidência ou não, perdi as chaves do carro em meu quarto. E agora, está chovendo.
Táxi? Ah, não, prefiro caminhar. Não é tão longe assim, afinal. Com um pouco de determinação, em uma hora e meia estaria em casa. Se meu corpo permitisse.
Eu realmente andava desanimada. Mas com meu coração espalhado em uma gosma vermelha e morna pelo chão, não era surpresa.
O problema é minha insistência em enxuga-lo, e coloca-lo em seu devido lugar novamente.
Talvez estivesse só exagerando.
Eu queria estar mesmo. Me fazia me sentir viva.
Então comecei a contar meus passos. Achei que assim o tempo passaria mais rápido. Mas a chuva me desconcentrava, e me fazia voltar ao zero.
Suspirei.
Talvez seria uma boa ideia chamar um táxi. Mas ali no meio da avenida, seria trabalhoso alguém me encontrar em meio aquele temporal.
Hm? Quando olhei sobre o ombro, sentindo a presença até então inconsciente de alguém me seguindo, comecei a andar mais devagar, para verificar se o indivíduo estava realmente atrás de mim. Não me assustei quando percebi que era o caso.
Mas simplesmente ignorei. Já devia ser a décima vez àquele dia que minha cabeça me pregava uma travessura.
Estava frio, e sentia minhas mãos finas tremerem dentro das luvas.
Comecei a andar mais depressa, querendo aquecer o corpo, até chegar na praça, a menos de cem metros. Não passava nenhum carro nas ruas com muito frequência com aquele temporal. Me senti um pouco invisível.
Sentei no banco, já ensopada, sentando no banco molhado, não fazia diferença.
Só me fazia tremer ainda mais, sentindo o cheiro de uma sopa quente de legumes...
Alguém sentou-se ali ao lado, mas estava distraída com minhas mãos se remexendo uma em cima da outra.
Depois comecei a perceber a presença de mais pessoas por ali, que saíam agora do grande prédio ali em frente, e corriam para o ponto de ônibus, onde tinha um pequeno abrigo.
Infelizmente, ali onde estava sentada não tinha nenhum tipo de cobertura. E, eu tinha me esquecido porque estava sentada ali, congelando e morrendo lentamente.
Por outro lado, havia alguém morrendo congelado-ensopado junto comigo.
Estaria esperando um táxi também. Mas eu não vi ele o chamando. Talvez tivesse sido esperto de chamar de dentro de um edifício, e depois se dirigir ao local.
Como sou burra.
-Hey. - Sussurrei, tentando observar o rosto do distinto na semi-escuridão. - Frio, hm?
Em um gesto de não-total-ignorância, ele sorriu torto por debaixo do capuz do casaco de veludo molhado, mas devia estar quentinho ali dentro.
Como não fazia diferença ficar quieta ou não, comecei a puxar conversa. Não queria parecer uma tagarela debaixo daquele pé d'água, mas eu não tinha mais nada pra fazer até alguém "em cima de um cavalo vir me salvar".
-Pra onde vai? - Forcei uma voz gentil, falhando na última nota.
Dessa vez, não virou a cabeça. Mas eu escutei um grunhido, aparentando ser a resposta.
-Ah, que bom. - Automaticamente minha boca continuou. - Estou esperando um táxi também. Perdi as chaves do carro... - Sorri singelamente, aparentando ironia.
Mas só dava pra rir da minha situação atual.
Ele virou a cabeça de novo, e pude ver um sorriso de lábios fechados. Pelo menos ele devia estar se esforçando.
Mas me cansei de ser irritante. Apenas me encolhi, e fiquei pensando em meus problemas.
Okey, eu sei que disse que não seria um romance a próxima postagem, but eu vivo disso, simplesmente vomito isso pelos dedos. Snif.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário