quarta-feira, 20 de julho de 2011

Girei o guarda-chuva pelo cabo, ainda rondeando meu prisioneiro. Toda vez que passava à sua frente, eu podia sentir seus olhos calmos fitando a parede à frente. O que me fez bater a ponta do objeto pontiagudo no chão. fazendo um barulho um tanto alto. Mas nem isso o afetou.
Puis as mãos na cintura, fitando-o com um sorriso sarcástico quase de orelha à orelha.
-Sabe o que você me fez passar? - Eu aproximei o rosto de sua face pálida e sem vida. - Você sabe?! - Agora gritei, desfazendo o sorriso, um tanto maníaca. - Eu chorei litros e litros de lágrimas naquela cama, por você, seu idiota, babaca, retardado! - E batia com toda a minha força o guarda-chuva contro o peito, a cabeça, e os braços presos. - Cada sorriso, cada palavra... Você mentiu pra mim?! Hein?!
Ele ainda insistia em manter os lábios selados.
Eu me apoiei sobre o guarda-chuva equilibrado, para olha-lo novamente. E dessa vez comecei a me desfazer lentamente, deixando as primeiras lágrimas correrem.
Me recuperando, e tomando fôlego, voltei a espanca-lo.
Vi sua cabeça voando, e caindo no chão, mas nem isso fez minha raiva ceder. Eu só queria que ele morresse. e parasse de me torturar.
-Seu filho duma p...
Quando fui obrigada a parar, quando alguém tocou a campainha.
Suspirei. Joguei minha ferramente no chão, olhei feio para o boneco que representava a presença irritante do meu namorado, e simplesmente sai do quarto, um pouco ofegante, para atender a porta.
Espiei pelo olho mágico. E não pude acreditar.
-Maldito. - Meus olhos ficaram entre um fio.
Destranquei a porta, mas não abri.
-Se abrir essa porta, vai morrer. - Eu apenas o disse, quando o vão aberto pela pessoa do lado de fora, estava começando a se estender.
Escutei a voz hesitante de alguém, e depois um riso que afetou profundamente meu coração, liberando cada vez mais adrenalina.
-Qual o problema?
Eu me afastei um pouco da porta, sorrindo. Me virei para ela novamente, dei impulso com o pé, e me joguei contra ela. A pena foi que ele tirou a mão do batente antes que ela se chocasse contra ele.
E depois me puis a fazer um escândalo, socando a madeira, fazendo barulho e gritando.
-Por que?! Ainda me pergunta? Você me... me... - Eu não teria coragem de reproduzir a palavra,  apenas porque não queria.
-Eu posso...
E depois do enorme barulho que saiu do cano da arma, não escutei mais nada. Apenas um suspiro longo e morto, que desapareceu.
Eu sorri, macabra, e lambi o revólver tirado de debaixo do sofá.
-Bom menino. Huhu.

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