Terceiro capítulo Revelações
-Kevin!
Meu rosto coberto de suor frio e meu corpo tremia.
Meu rosto coberto de suor frio e meu corpo tremia.
Fiquei algum tempo olhando para a parede a minha frente sem focaliza-la direito. Ainda estava presa as imagens daquela lembrança.
-Ei, Ame, acordou, hm? - Uma voz veio do outro canto do quarto.
Eu virei a cabeça, assustada. Vi Shiro sentando em uma poltrona vermelha virada para uma grande janela que mostrava um céu laranja com nuvens rosadas. Era uma boa paisagem.
Ele tinha um prato com bolo sobre as pernas e constantemente lhe dava colheradas.
Eu me sentei sobre a cama e passei a mão em um de meus olhos que ardia um pouco. Me puis de pé e analisei o local. Parecia realmente um quarto. Era tudo tão refinado. Todos os móveis ali eram de uma cor de madeira bem escura.
-Como vim parar – Me levantei. - nesse lugar?
Shiro lambeu a colher e a pousou no prato, saboreando o pedaço que derretia na boca.
-Como vim parar – Me levantei. - nesse lugar?
Shiro lambeu a colher e a pousou no prato, saboreando o pedaço que derretia na boca.
-A senhorita desmaiou na carruagem e achei que seria prudente leva-la para dentro do quartel, já que seus pais não iriam aparecer. - Ele não me olhava enquanto falava, o que me deixava tensa. - E acredito que ainda não tenha recuperado nem uma lembrança deles, certo?
Eu demorei para responder. Fiz algum esforço para focalizar qualquer rosto dentro de minha cabeça, mas, nada. Suspirei e voltei a me sentar.
-O que irá acontecer se não me lembrar? Irei para um orfanato ou coisa do tipo, não é?
Eu estava aborrecida.
Eu estava aborrecida.
-Provavelmente. - Ele pegou a cereja vermelha que estava enterrada no bolo e a lambeu. - Mas apenas se não encontrarmos nenhum parente que queira ficar com você.
Suspirei novamente e voltei a olha-lo.
-E quem iria ficar com uma garota que apareceu do nada e nem se quer sabe seu nome? - Meus olhos caíram para o chão, tentando desviar o olhar irritado. - Eu não consigo ter uma lembrança se quer do meu passado! E toda vez que tento me lembrar as imagens somem novamente e fico em uma escuridão total!
Ele empurrou o prato de bolo no chão como se fosse apenas algum objeto. O prato se quebrou e o bolo ficou todo esparramado. Mas ele ainda se divertia lambendo a cereja. Eu o olhava um tanto assustada e me encolhi sobre a cama.
-Ame Agnell.
A cereja fora devorada e sobrara apenas o cabo. Ele se levantou com cuidado para não pisar no pedaço de bolo a sua frente e cruzou os braços, parado diante de mim.
Eu levantei a cabeça de novo. Seu rosto não carregava nenhum tipo de expressão e eu fiz a mesma cara.
Ele então sorriu e se sentou ao meu lado, na ponta da cama. Continuava a fitar o outro lado do quarto.
-Seu nome é Ame Agnell Rozzato.
Alguma coisa parecia ter despertado dentro de mim, mas eu não prestei atenção.
Shiro virou os olhos para mim, aguardando minha reação. Mas eu apenas estava fora de sintonia.
-Seu pai é Sedric Agnell Rozzato, líder da Terceira Família. - Ele sorriu. - E sua mãe, Elizabeth.
Eu o fitei surpresa por algum tempo e pousei a cabeça desanimada sobre os joelhos.
-Como pode ter certeza?
Ele soltou um riso abafado e começou a se movimentar.
-Ora, ora, não foi por acaso que te deram aquele medalhão. Garanto que Sedric não iria dar aquilo a mais ninguém se não fosse sua filha, Ame.
-Eu não sou essa tal Ame. - Meus lábios soltaram aquelas palavras rigidamente. - Mas... se for verdade, porque me deixaram sozinha, de qualquer modo?
Shiro ainda olhava com o rabo dos olhos para mim, sem expressão. Mas depois sorriu, se pondo de pé em quase um passo de dança.
-Não se preocupe. Eu tenho certeza absoluta que você seja aquela garota. - Ele caminhou até a porta. - Mas agora, por favor, venha comer algo. Você deve estar com fome, eu imagino. - Ele estendei o braço na minha direção, me convidando a acompanha-lo.
Eu sorri sem muito interesse. Mas não recusei o convite. Meu estômago estava se auto-comendo e não parava de fazer barulho. E então, saímos do aconchegante quarto.
-Bom dia, Nídia! Vim procurar mais dos seus bolos. Aquele, sem querer, deixei cair no chão. - Shiro piscou enquanto o disse.
-Idiota. - Ela sorriu sem vontade.
Nídia estava sentada na outra ponta de uma longa mesa coberta por um café da manhã cheiroso e atraente.
Nídia estava sentada na outra ponta de uma longa mesa coberta por um café da manhã cheiroso e atraente.
Eu nem pensei: me sentei e comecei a me servir de torta de maçã com morangos. Outra coisa me atraía também.
-Que coisa é essa? Suco? - Apontei para o bule com um líquido preto dentro.
-Isso é café. - Shiro mostrou a língua. - Você gosta?
-Hm. Eu não sei. - Eu disse séria, me concentrando em servir café a mim mesma em uma das formosas xícaras dali.
Nídia me olhava atentamente, vendo cada movimento e reação eu tinha. Era tudo tão novo! Queria apenas poder me lembrar das coisas básicas.
Aquilo escorregou pela minha garganta, me causando uma sensação prazerosa.
-Que coisa é essa? Suco? - Apontei para o bule com um líquido preto dentro.
-Isso é café. - Shiro mostrou a língua. - Você gosta?
-Hm. Eu não sei. - Eu disse séria, me concentrando em servir café a mim mesma em uma das formosas xícaras dali.
Nídia me olhava atentamente, vendo cada movimento e reação eu tinha. Era tudo tão novo! Queria apenas poder me lembrar das coisas básicas.
Aquilo escorregou pela minha garganta, me causando uma sensação prazerosa.
Meus olhos se perderam na doce sensação e fiquei encarando o nada por um tempo.
-Hm? - Shiro comia outro bolo. Dessa vez de limão.
-Isso é... - Olhei para o líquido escuro na xícara. - Delicioso!! Quero mais, por favor! - Olhei desesperada para Nídia.
-Isso é... - Olhei para o líquido escuro na xícara. - Delicioso!! Quero mais, por favor! - Olhei desesperada para Nídia.
-Sirva-se, Ame. - Ela sorriu.
Enquanto eu comia e me entupia de café, Shiro se retirou quando finalmente devorou o bolo de limão por completo.
-A chefe está me chamando. - Ele sorriu, passando as mãos nos longos cabelos prateados. - Mais tarde nos encontramos. Nídia, pode ficar com a Ame, não pode?
-Realmente, acho que hoje não irão mais me incomodar com missões chatas. - Ela tombou a cabeça na mesa, sorrindo. - Posso, sim, mestre Shiro.
-Perfeito. - E ele saiu saltitante. - Por favor, depois leve a Ame na sala de música. Quem sabe, se for verdade, isso talvez ajude.
Ela o encarou desconfiada por algum tempo, mas sorriu.
-Perfeito. - E ele saiu saltitante. - Por favor, depois leve a Ame na sala de música. Quem sabe, se for verdade, isso talvez ajude.
Ela o encarou desconfiada por algum tempo, mas sorriu.
-Certo. - Ela fez um polegar positivo e Shiro desapareceu, acenando para nós.
Pus a xícara sobre o piriz, olhando para a garota.
Pus a xícara sobre o piriz, olhando para a garota.
-Ei, Nídia, o que Shiro quis dizer com aquilo? - Me encolhi. - Ele realmente me deixou confusa. Me explicou alguma coisa em em relação a Terceira Família, algo assim. O que ou quem são essas pessoas?
-A Aliança de Minagawa. - Ela levou a xícara a boca e a pousou novamente na mesa. - Essas pessoas, eram os nobres que mantinham a harmonia. Cada uma das três famílias tinham uma única pessoa que se comprometia a arcar com tudo o que acontecei ao redor das grandes cidades.
-Os Agnell...? - Sussurrei.
-Sim. - Ela sorriu, me incentivando.
“A Primeira Família eram os Hunttenlocher: eles tomavam todas as decisões e eram responsáveis em guardar o portal que levava para dentro da Escuridão, o propósito do nosso quartel, chamado Finnintor. A Segunda Família, os Knight: esses se responsabilizavam por defender as outras duas famílias e proteger o portal, não deixando que nada saísse de lá e nem entrasse. E, a Terceira Família: os Agnell. Eles, na verdade, nunca foram vistos com bons olhos por ninguém. Eram conhecidos por apenas se aproveitarem da sua inclusão na Aliança. Mas eles tinham importância fundamental. Eles eram aqueles que tinham o poder de controlar o que estava dentro da Escuridão. Alguns deles, eram até pessoas que conseguiram sair de dentro de lá.”
-Ame, o seu pai era alguém que não nasceu nesse mundo. - Sua voz doce falava seriamente. - Shiro também.
-Sim. - Ela sorriu, me incentivando.
“A Primeira Família eram os Hunttenlocher: eles tomavam todas as decisões e eram responsáveis em guardar o portal que levava para dentro da Escuridão, o propósito do nosso quartel, chamado Finnintor. A Segunda Família, os Knight: esses se responsabilizavam por defender as outras duas famílias e proteger o portal, não deixando que nada saísse de lá e nem entrasse. E, a Terceira Família: os Agnell. Eles, na verdade, nunca foram vistos com bons olhos por ninguém. Eram conhecidos por apenas se aproveitarem da sua inclusão na Aliança. Mas eles tinham importância fundamental. Eles eram aqueles que tinham o poder de controlar o que estava dentro da Escuridão. Alguns deles, eram até pessoas que conseguiram sair de dentro de lá.”
-Ame, o seu pai era alguém que não nasceu nesse mundo. - Sua voz doce falava seriamente. - Shiro também.
Eu havia paralisado. Não conseguia ligar os pontos ainda.
-Escuridão, é? - Me encolhi.
-Sim.
-Sim.
“A Escuridão é um lugar sombrio. Dizem que foram os Knight que criaram. Mas não conseguiram manter controle. Eles mexeram com algum tipo de magia negra. A partir desse momento, é aí que o Agnell entram. O seu pai, Ame, antes de vir para esse mundo, conseguiu ir no mais profundo leito da Escuridão e roubou de lá raízes profundas de algo que ninguém jamais soube o que realmente é. Depois ele disse que tudo estaria bem se ninguém mais tentasse invadir ou prejudicar o que há dentro daquele lugar. Os Huntterlocher, então, prometeram tomar conta do único portal para aquele mundo. E os Knigth se comprometeram a proteger todos os envolvidos nesse processo, já que foram eles que deram início a isso. E assim se formou a Aliança de Minagawa, as Três Famílias.”
-Ei, Nídia, se meu pai nasceu dentro desse lugar, ele então, era um monstro?
-Ei, Nídia, se meu pai nasceu dentro desse lugar, ele então, era um monstro?
Ela demorou para responder. Isso me forçou a prestar atenção em seu rosto. Nídia parecia também estar pensando.
-Eu não sei, Ame. Shiro te parece um monstro? - Ela me encarou, séria.
-Eu não sei, Ame. Shiro te parece um monstro? - Ela me encarou, séria.
Era verdade.
-Por que, então, eu estou aqui? - Baixei a cabeça.
Aonde eu me encaixo nessa história toda?
“Apenas sabemos que o que tem o poder de controlar a praga da Escuridão, é uma força chamada... Ametista.”
Aonde eu me encaixo nessa história toda?
“Apenas sabemos que o que tem o poder de controlar a praga da Escuridão, é uma força chamada... Ametista.”
Nenhum comentário:
Postar um comentário