Sétimo Capítulo Novo começo
-Certo. Não acho que isso vá voltar a te incomodar. - Aquela pessoa disse, terminando de medicar minhas mãos machucadas.
Eu as observei de todos os ângulos, impressionada com as ataduras improvisadas que ele fez. E eu nem sentia mais os ferimentos.
Ainda estávamos na beira daquele abismo. Mas o lugar ali parecia a gravura de algum livro. Naquela parte, apesar das raízes e folhas secas, a grama era bem verde.
-Ainda não respondeu. - Eu disse, terminando de analisar as mãos.
Ele jogou o corpo comprido no chão, olhando para a copa das árvores que balançavam com a brisa.
-Não respondi?
-Por que me salvou? - Arqueei uma sobrancelha quando refiz a pergunta.
Ele ficou calado algum tempo olhado para as folhas dançantes que acompanhavam o ritmo do vento.
Perdi a paciência. Para quebra o clima tenso, já que ele estava demorando para responder, abracei meus joelhos, olhando para a mesma direção que ele.
-Por que – Ele suspirou. - Não tem medo de mim?
Franzi a testa. Aquela pergunta me pegou de surpresa. Mas nem era tão difícil de responder.
-Por que eu deveria ter? - Dei continuação ao “jogo de perguntas”.
Ele riu. A risada também era perfeita e bonita. Como ele poderia se considerar um monstro.
-E eu me pergunto como consegui evitar de mata-la ontem a noite.
Deu um tempo e nós voltamos a ficar em silêncio. O silêncio me deixava nervosa. Então fiz como ele, me estirei na folhagem.
-Por que acha que é um monstro?
Virei a cabeça, olhando-o.
Mais uma vez, ele demorou para me responder e agora eu fiquei realmente impaciente.
-Por causa daqueles braços? - Minha voz saiu meio irritada.
Sério, ele ainda se manteve em silêncio, olhando para o topo das árvores.
-Aqueles braços de luz que você viu, sim, são algo que eu não consigo controlar. Quando começa a escurecer e estou fraco, aqueles – Notei as mãos dele se fecharem em punhos. - malditos aparecem e saio caçando pessoas e... s-saco!
Eu o observei sem expressão por algum tempo. Pisquei algumas vezes e voltei a encarar o teto de folhas.
-Você as mata?
-Certo. Não acho que isso vá voltar a te incomodar. - Aquela pessoa disse, terminando de medicar minhas mãos machucadas.
Eu as observei de todos os ângulos, impressionada com as ataduras improvisadas que ele fez. E eu nem sentia mais os ferimentos.
Ainda estávamos na beira daquele abismo. Mas o lugar ali parecia a gravura de algum livro. Naquela parte, apesar das raízes e folhas secas, a grama era bem verde.
-Ainda não respondeu. - Eu disse, terminando de analisar as mãos.
Ele jogou o corpo comprido no chão, olhando para a copa das árvores que balançavam com a brisa.
-Não respondi?
-Por que me salvou? - Arqueei uma sobrancelha quando refiz a pergunta.
Ele ficou calado algum tempo olhado para as folhas dançantes que acompanhavam o ritmo do vento.
Perdi a paciência. Para quebra o clima tenso, já que ele estava demorando para responder, abracei meus joelhos, olhando para a mesma direção que ele.
-Por que – Ele suspirou. - Não tem medo de mim?
Franzi a testa. Aquela pergunta me pegou de surpresa. Mas nem era tão difícil de responder.
-Por que eu deveria ter? - Dei continuação ao “jogo de perguntas”.
Ele riu. A risada também era perfeita e bonita. Como ele poderia se considerar um monstro.
-E eu me pergunto como consegui evitar de mata-la ontem a noite.
Deu um tempo e nós voltamos a ficar em silêncio. O silêncio me deixava nervosa. Então fiz como ele, me estirei na folhagem.
-Por que acha que é um monstro?
Virei a cabeça, olhando-o.
Mais uma vez, ele demorou para me responder e agora eu fiquei realmente impaciente.
-Por causa daqueles braços? - Minha voz saiu meio irritada.
Sério, ele ainda se manteve em silêncio, olhando para o topo das árvores.
-Aqueles braços de luz que você viu, sim, são algo que eu não consigo controlar. Quando começa a escurecer e estou fraco, aqueles – Notei as mãos dele se fecharem em punhos. - malditos aparecem e saio caçando pessoas e... s-saco!
Eu o observei sem expressão por algum tempo. Pisquei algumas vezes e voltei a encarar o teto de folhas.
-Você as mata?
Estava começando achar que era lenta de mais para acompanha-lo. Ele estava sobre o meu corpo, me prendendo no chão.
Sorria maliciosamente um largo sorriso medonho. Os olhos laranjas brilhando.
Eu não fiz nada. Apenas esperei para ver o que iria acontecer.
A mão dele escorreu gentilmente no lado direito do meu rosto, me acariciando, numa tentativa de me assustar.
-Idiota.
Ele arqueou perfeitamente uma sobrancelha.
-Você não é um monstro. E falar sobre isso está ficando ridículo. - Meu rosto ainda sem expressão.
Lentamente, o sorriso assustador se desfez. Os olhos daquela pessoa tremeram, ainda brilhantes.
-Você tem distúrbio mental? - Um sorriso sarcástico.
-Saia de cima de mim! - Eu tentei empurra-lo, inutilmente, claro.
-Porque eu te achei diferente. - Ele disse, sério.
Era a resposta daquela pergunta. Parei de me debater, olhando o mais profundo que pude para dentro dos olhos daquela pessoa. Minha testa estava franzida de novo, porque afinal, eu não tinha entendido a resposta.
-Você é uma retardada. - Ele disse, sorrindo, malicioso.
-E você não é muito diferente, afinal. - Fiz uma careta de deboche. - Além disso, é um pervertido de quinta categoria.
-C-como é? - Arranquei um falso sorriso dele.
-Vai ficar muito tempo em cima de mim?
Ele me encarou por alguns segundos, sem palavras, o que me deu uma certa satisfação, e depois se sentou virado de costas para mim, irritado.
-Você é uma pessoa muito estranha, afinal.
-Calado. - Eu disse, me levantando, tirando algumas folhas que grudaram no vestido totalmente destruído.
Eu tinha conseguido realmente deixa-lo sem palavras e emburrado. Aquilo era divertido.
-Você não tem – Essa palavra era um peso para mim. - pais?
O silêncio dominou o cenário novamente. Mas eu não iria esperar de novo ele sentir vontade de responder. Eu dei um leve tapinha em sua nuca, me pondo diante dele.
-Qual é o seu problema?! - Resmungou, irritado.
-Tudo bem. - Puis as mãos na cintura, me virando. - Não precisa responder.
Senti que ele ainda me olhava irritado por trás, mas escutei um suspiro e uma rendição novamente.
-Acha que um cara como eu tem pais? - Resmungou. - É mais provável que uma garotinha como você tenha. - Ele revirou os olhos, fazendo uma voz esganiçada. - Ainda não entendi por quê está aqui no meio do nada sozinha.
Eu não estava agüentando. A dor de antes voltou. Meus olhos estavam se empoçando e aquilo me deixou chateada de repente.
-Ei. - Escutei.
-Idiota!
Me apressei em me distanciar dele. Voltei a correr, cortando o bosque. Não queria mais sentir aquela dor. Se eu tinha pais ou não, eu não poderia ter certeza. Mas ressaltar isso, só fazia com que eu me lembrasse que estava sozinha. A culpa não era daquela pessoa. E eu estava me fazendo de ridícula chorando a cada momento em que me constava.
Eu corria sem olhar para frente. Mesmo com as mãos enroladas na fita do vestido, eu sentia que as lasca continuavam a atravessar o tecido fino e piorando ainda mais os cortes. Sem ser masoquista, mas até que era bom sentir aquela dor. Era como um...
“Castigo, hum?” A voz de antes. “Estou ansiosa para nos reencontrarmos, Ame.”
-Sai da minha cabeça!! - Eu gritei, e no mesmo momento tropecei em alguma rais ressaltada e caí no chão de limo.
Meu corpo tremia e minhas mãos ardiam.
Como seria bom se aquilo tudo parasse, não é? Sorri sem vontade, assustadora.
De repente, me senti mais forte. Como se nada fosse tão poderoso quanto eu. Eu sabia que essa presunção era aquela “coisa” que estava me causando. Eu a sentia tomar conta do meu corpo.
As asas negras renasceram. Mas dessa vez, não com tanta intensidade como antes. Elas pareciam fracas. Minha grande força estava sendo limitada. Eu tinha notado algo – eu ainda me sentia eu.
Entre as árvores escutei a aproximação de alguém. As asas se eriçaram, tentando encontrar espaço no meio da vegetação apertada.
Me virei com um certo medo, não por mim, mas pelo o que estivesse vindo.
Ele apareceu. Era aquela pessoa de antes. Eu acho que iria chorar novamente por ter deixado com que aquela pessoa me visse daquela forma. Mas, simplesmente, havia algo que me impedia. O máximo que consegui fazer é arregalar os olhos, esperando com que ele entendesse que eu queria que ele mantivesse distância. Eu era perigosa de mais.
Mas ele ficou parado, olhando para mim sem expressão. E eu também não me mexi – um passo meu poderia ser fatal para aquela pessoa.
Ele abriu um sorriso, parecendo ignorar as enormes asas e meus olhos assustadores, que eu presumia estarem vermelhos, como Nídia havia dito.
Ele baixou a cabeça, ainda sorrindo. O cabelo cobriu seus olhos e não pude ver como ele me encarava.
Algumas faíscas de luz me cegaram por algum tempo, quando percebi que eram os braços brilhantes que eu tinha visto antes. Estavam em dois pares, somando quatro no total. Eles cortaram o ar rapidamente, vindo na minha direção. Por instinto, as asas me ajudaram a desviar. Mas como eu estava tomando uma pequena parte do controle daquilo, não foram tão úteis. Porque uma braço de luz se enroscou na minha perna e os outros o acompanharam. Meus braços e pernas estavam incapazes de se mover.
-Nós fazemos nossas próprias asas, não é? - Disse, sarcástico.
Eu fiquei com mais raiva ainda, tentado me soltar daquilo. Um quinto braço saiu de trás daquela pessoa, e esse foi o que me aquetou – ele havia atravessado a pele do meu peito sem problemas, entrando dentro do meu corpo. E de lá, arrancou, o que consegui enxergar, uma pequena bola de luz que queimava em uma chama negra.
Eu estava pasma com aquilo. Aquilo estava... dentro de mim?
Ele levantou a cabeça, puxando aquilo para perto de si. Ele ainda sorria e depois, fez uma coisa que me apavorou. Sua boca se alargou quase de orelha à orelha, e então ele devorou a chama negra, lambendo os beiços.
No mesmo instante, as asas negras desapareceram e eu caí sobre os joelhos, sem tirar os olhos daquela pessoa, que agora sim, me pareceu ser um monstro.
Os braços de luz também desapareceram e o bosque voltou a sua cor normal.
Ficamos em silêncio.
Nossas verdadeiras formas... eram aquelas? Então, éramos mesmo monstros?
Sorria maliciosamente um largo sorriso medonho. Os olhos laranjas brilhando.
Eu não fiz nada. Apenas esperei para ver o que iria acontecer.
A mão dele escorreu gentilmente no lado direito do meu rosto, me acariciando, numa tentativa de me assustar.
-Idiota.
Ele arqueou perfeitamente uma sobrancelha.
-Você não é um monstro. E falar sobre isso está ficando ridículo. - Meu rosto ainda sem expressão.
Lentamente, o sorriso assustador se desfez. Os olhos daquela pessoa tremeram, ainda brilhantes.
-Você tem distúrbio mental? - Um sorriso sarcástico.
-Saia de cima de mim! - Eu tentei empurra-lo, inutilmente, claro.
-Porque eu te achei diferente. - Ele disse, sério.
Era a resposta daquela pergunta. Parei de me debater, olhando o mais profundo que pude para dentro dos olhos daquela pessoa. Minha testa estava franzida de novo, porque afinal, eu não tinha entendido a resposta.
-Você é uma retardada. - Ele disse, sorrindo, malicioso.
-E você não é muito diferente, afinal. - Fiz uma careta de deboche. - Além disso, é um pervertido de quinta categoria.
-C-como é? - Arranquei um falso sorriso dele.
-Vai ficar muito tempo em cima de mim?
Ele me encarou por alguns segundos, sem palavras, o que me deu uma certa satisfação, e depois se sentou virado de costas para mim, irritado.
-Você é uma pessoa muito estranha, afinal.
-Calado. - Eu disse, me levantando, tirando algumas folhas que grudaram no vestido totalmente destruído.
Eu tinha conseguido realmente deixa-lo sem palavras e emburrado. Aquilo era divertido.
-Você não tem – Essa palavra era um peso para mim. - pais?
O silêncio dominou o cenário novamente. Mas eu não iria esperar de novo ele sentir vontade de responder. Eu dei um leve tapinha em sua nuca, me pondo diante dele.
-Qual é o seu problema?! - Resmungou, irritado.
-Tudo bem. - Puis as mãos na cintura, me virando. - Não precisa responder.
Senti que ele ainda me olhava irritado por trás, mas escutei um suspiro e uma rendição novamente.
-Acha que um cara como eu tem pais? - Resmungou. - É mais provável que uma garotinha como você tenha. - Ele revirou os olhos, fazendo uma voz esganiçada. - Ainda não entendi por quê está aqui no meio do nada sozinha.
Eu não estava agüentando. A dor de antes voltou. Meus olhos estavam se empoçando e aquilo me deixou chateada de repente.
-Ei. - Escutei.
-Idiota!
Me apressei em me distanciar dele. Voltei a correr, cortando o bosque. Não queria mais sentir aquela dor. Se eu tinha pais ou não, eu não poderia ter certeza. Mas ressaltar isso, só fazia com que eu me lembrasse que estava sozinha. A culpa não era daquela pessoa. E eu estava me fazendo de ridícula chorando a cada momento em que me constava.
Eu corria sem olhar para frente. Mesmo com as mãos enroladas na fita do vestido, eu sentia que as lasca continuavam a atravessar o tecido fino e piorando ainda mais os cortes. Sem ser masoquista, mas até que era bom sentir aquela dor. Era como um...
“Castigo, hum?” A voz de antes. “Estou ansiosa para nos reencontrarmos, Ame.”
-Sai da minha cabeça!! - Eu gritei, e no mesmo momento tropecei em alguma rais ressaltada e caí no chão de limo.
Meu corpo tremia e minhas mãos ardiam.
Como seria bom se aquilo tudo parasse, não é? Sorri sem vontade, assustadora.
De repente, me senti mais forte. Como se nada fosse tão poderoso quanto eu. Eu sabia que essa presunção era aquela “coisa” que estava me causando. Eu a sentia tomar conta do meu corpo.
As asas negras renasceram. Mas dessa vez, não com tanta intensidade como antes. Elas pareciam fracas. Minha grande força estava sendo limitada. Eu tinha notado algo – eu ainda me sentia eu.
Entre as árvores escutei a aproximação de alguém. As asas se eriçaram, tentando encontrar espaço no meio da vegetação apertada.
Me virei com um certo medo, não por mim, mas pelo o que estivesse vindo.
Ele apareceu. Era aquela pessoa de antes. Eu acho que iria chorar novamente por ter deixado com que aquela pessoa me visse daquela forma. Mas, simplesmente, havia algo que me impedia. O máximo que consegui fazer é arregalar os olhos, esperando com que ele entendesse que eu queria que ele mantivesse distância. Eu era perigosa de mais.
Mas ele ficou parado, olhando para mim sem expressão. E eu também não me mexi – um passo meu poderia ser fatal para aquela pessoa.
Ele abriu um sorriso, parecendo ignorar as enormes asas e meus olhos assustadores, que eu presumia estarem vermelhos, como Nídia havia dito.
Ele baixou a cabeça, ainda sorrindo. O cabelo cobriu seus olhos e não pude ver como ele me encarava.
Algumas faíscas de luz me cegaram por algum tempo, quando percebi que eram os braços brilhantes que eu tinha visto antes. Estavam em dois pares, somando quatro no total. Eles cortaram o ar rapidamente, vindo na minha direção. Por instinto, as asas me ajudaram a desviar. Mas como eu estava tomando uma pequena parte do controle daquilo, não foram tão úteis. Porque uma braço de luz se enroscou na minha perna e os outros o acompanharam. Meus braços e pernas estavam incapazes de se mover.
-Nós fazemos nossas próprias asas, não é? - Disse, sarcástico.
Eu fiquei com mais raiva ainda, tentado me soltar daquilo. Um quinto braço saiu de trás daquela pessoa, e esse foi o que me aquetou – ele havia atravessado a pele do meu peito sem problemas, entrando dentro do meu corpo. E de lá, arrancou, o que consegui enxergar, uma pequena bola de luz que queimava em uma chama negra.
Eu estava pasma com aquilo. Aquilo estava... dentro de mim?
Ele levantou a cabeça, puxando aquilo para perto de si. Ele ainda sorria e depois, fez uma coisa que me apavorou. Sua boca se alargou quase de orelha à orelha, e então ele devorou a chama negra, lambendo os beiços.
No mesmo instante, as asas negras desapareceram e eu caí sobre os joelhos, sem tirar os olhos daquela pessoa, que agora sim, me pareceu ser um monstro.
Os braços de luz também desapareceram e o bosque voltou a sua cor normal.
Ficamos em silêncio.
Nossas verdadeiras formas... eram aquelas? Então, éramos mesmo monstros?
-Irônico. - Eu disse, sorrindo sem vontade, como o habitual.
Ele soltou um riso rápido e também se deixou cair de joelhos.
O céu estava ficando alaranjado. Tinha passado tanto tempo assim? E ninguém ainda tinha procurado por mim.
-Achei que iria tentar se suicidar de novo. - Ele disse sério, ainda sem levantar a cabeça.
-Por que se importa?
-Não estou supondo nada. - Finalmente levantou o olhar, sorrindo. - Apenas acho que era para acontecer assim.
-Que quer dizer?
O céu estava ficando alaranjado. Tinha passado tanto tempo assim? E ninguém ainda tinha procurado por mim.
-Achei que iria tentar se suicidar de novo. - Ele disse sério, ainda sem levantar a cabeça.
-Por que se importa?
-Não estou supondo nada. - Finalmente levantou o olhar, sorrindo. - Apenas acho que era para acontecer assim.
-Que quer dizer?
-Ambos somos monstros, não é? - Riu sem vontade. - Temos apenas uma pequeno controle sobre o que somos. O resto, nossos instintos agem por si só.
-Não sou um monstro.
Parecia certo dizer aquilo. E eu não me sentia errada.
-E acho que você também não é. - Levantei a cabeça para olha-lo. - E tem razão. Acho que... o que aconteceu aqui, era apenas o inevitável.
“Eu não tenho pais, na situação em que me encontro agora. Na verdade, a mais o menos quatro dias atrás, eu sequer estava nesse mundo. As pessoas que me ajudaram, acham que sou dessedente de uma família, chamada Agnell. Elas estão confusas, porque essas pessoas se foram à duzentos anos atrás. Quanto a esse poder... não sei muito, afinal. Só é a segunda vez que ele toma conta de mim.”
-Então – Meus olhos voltaram a se empoçar. - não existe ninguém que tenha conhecido ou saiba exatamente de toda a verdade sobre mim. Todas as pessoas que deviam ter me acompanhado naquela época, agora devem estar mortas.
Antes que eu percebesse, ele estava parado de pé, diante de mim, com a mão em minha cabeça. Por que ele insistia em ser um cara legal comigo?! Hunf. Eu era alguém que realmente não precisava existir.
“Antes de vir parar nesse lugar, eu machuquei alguém que me ajudou. Me senti uma impostora. E então, acho que acabei fugindo. E... parece que daquela época para cá, de duzentos anos para agora, eu envelheci. Porque Shiro me disse que eu tinha penas seis anos.”
Fiquei frustrada. Mas estava mais tranquila. Ele me passava uma onda de uma energia que me mantinha calma. Ou era o que eu sentia.
-Então você tem mais de duzentos anos. - Ele sorriu sarcástico, brincando.
-Pare com isso. - Eu ri. - É sério.
Ele suspirou, ainda com a mão na minha cabeça, se abaixou, olhando o céu laranja. Seu sorriso de lábios fechados era mais bonito do que eu imaginava. Eu até me esquecia das olheiras negras e dos braços de luz medonhos.
-Isso não é tão estranho, afinal.
-Hum?
-Não sou um monstro.
Parecia certo dizer aquilo. E eu não me sentia errada.
-E acho que você também não é. - Levantei a cabeça para olha-lo. - E tem razão. Acho que... o que aconteceu aqui, era apenas o inevitável.
“Eu não tenho pais, na situação em que me encontro agora. Na verdade, a mais o menos quatro dias atrás, eu sequer estava nesse mundo. As pessoas que me ajudaram, acham que sou dessedente de uma família, chamada Agnell. Elas estão confusas, porque essas pessoas se foram à duzentos anos atrás. Quanto a esse poder... não sei muito, afinal. Só é a segunda vez que ele toma conta de mim.”
-Então – Meus olhos voltaram a se empoçar. - não existe ninguém que tenha conhecido ou saiba exatamente de toda a verdade sobre mim. Todas as pessoas que deviam ter me acompanhado naquela época, agora devem estar mortas.
Antes que eu percebesse, ele estava parado de pé, diante de mim, com a mão em minha cabeça. Por que ele insistia em ser um cara legal comigo?! Hunf. Eu era alguém que realmente não precisava existir.
“Antes de vir parar nesse lugar, eu machuquei alguém que me ajudou. Me senti uma impostora. E então, acho que acabei fugindo. E... parece que daquela época para cá, de duzentos anos para agora, eu envelheci. Porque Shiro me disse que eu tinha penas seis anos.”
Fiquei frustrada. Mas estava mais tranquila. Ele me passava uma onda de uma energia que me mantinha calma. Ou era o que eu sentia.
-Então você tem mais de duzentos anos. - Ele sorriu sarcástico, brincando.
-Pare com isso. - Eu ri. - É sério.
Ele suspirou, ainda com a mão na minha cabeça, se abaixou, olhando o céu laranja. Seu sorriso de lábios fechados era mais bonito do que eu imaginava. Eu até me esquecia das olheiras negras e dos braços de luz medonhos.
-Isso não é tão estranho, afinal.
-Hum?
-Eu tenho cento e catorze anos.
Ele tinha dito aquilo tranqüilo. Que tipo de pessoa diz que tem cento e catorze anos em uma despreocupação assim? Fiz uma careta sem perceber.
Ele riu da minha expressão, me ajudando a me por de pé.
-Quantos anos você teria se... fosse normal?
Ele coçou o queixo, pensando.
-Catorze.
-C-c-c-catorze? Com essa altura?! V-vai sonhando! E-eu teria uns doze e nem sou tão alta assim.
-Idiota, idiota. - Ele mostrou a língua, puxando o canto do olho. - Nós não somos normais, esqueceu?
-Claro, claro. - Revirei os olhos.
-Com licença! - Uma voz alegre disse.
Reconheci a voz.
Uma mão vestida em uma luva branca tocou o ombro daquela pessoa. Eu fiquei sem ar por um momento, mas não tive outro ataque de medo. E ele apenas virou a cabeça, irritado.
-S-Shiro?
Ele veio atrás de mim? Por que?
-Olá, Ame! - Ele disse sorrindo e pois as mãos na cintura. - Ora, ora, Ame, fez um amigo na sua fuga, é? Estávamos preocupados com você. - Fazendo uma cara de preocupação, de repente.
-Eu não fugi! - Suspirei. - É... talvez.
-E quem é ele? - Shiro segurou o rosto daquela pessoa, o olhando. - Parece ser um Condenado, hm?
-N-não.
-Tire a mão de mim! - Ele afastou Shiro. - E você também parece ser um, para falar a verdade! Está dizendo o quê?!
Shiro deu de ombros, sorrindo. Ele voltou a olhar para mim.
-Nídia me contou o que aconteceu. E isso só me convenceu ainda mais do que eu presumia.
-Ah, ela contou? - Eu disse, desanimada.
Então, todos já deviam saber.
-Me desculpa, Shiro. Aquilo foi...
-Inevitável. - Ele disse, quase cantando. - Eu esperava que acontecesse. Lembra-se da chave que eu havia te dado?
-Hm.
-Não foi por acaso, é claro. - Ele passou os dedos no cabelo prateado que brilhava por conta do sol que batia. - Aquela chave era do seu pai.
Meu coração se espremeu por um momento. Mais decidi que não iria mais chorar por aquilo.
-Se você tivesse algum contato com o seu passado, com algo dele, ainda, achei que o poder que ele selou em você iria se manifestar.
-P-poder? - Eu fiquei paralisada por algum tempo, pensando. - Selou? Meu pai selou aquilo dentro de mim?!
Shiro assentiu, sorridente.
-O Poder de Ametista. Algo extremamente poderoso. - Ele passou a mão no queixo. - Eu acho, que como você acabou de sair daquela caixa de Pandora, o Anjo Negro ainda está fraco.
-A-Anjo Negro? Shiro, o que está me dizendo é...
-Calma, calma. - Ele sorriu. - Você ainda não precisa se preocupar com isso. Máh! Eu explico isso mais tarde. - Ele olhou para o céu, sorrindo. - Agora vai chover. Não querem se molhar, não é?
-Chover? - Aquela pessoa disse.
O céu estava lindo, alaranjado, e o sol ainda estava ali. Não haviam nuvens nem nada.
-Ei, Ame. - Ele se virou de novo, saltitando. - Pode trazer o seu amigo conosco, né? Vamos, vamos!
Shiro saiu saltitante entre as árvores, desaparecendo. Mas eu não liguei muito. Voltei a encarar o garoto.
-Você pode vir comigo, se quiser.
Ele bufou, irritado. Parecia que algo estava errado. Mas já que Shiro havia permitido, não havia problemas, certo?
Ele tinha dito aquilo tranqüilo. Que tipo de pessoa diz que tem cento e catorze anos em uma despreocupação assim? Fiz uma careta sem perceber.
Ele riu da minha expressão, me ajudando a me por de pé.
-Quantos anos você teria se... fosse normal?
Ele coçou o queixo, pensando.
-Catorze.
-C-c-c-catorze? Com essa altura?! V-vai sonhando! E-eu teria uns doze e nem sou tão alta assim.
-Idiota, idiota. - Ele mostrou a língua, puxando o canto do olho. - Nós não somos normais, esqueceu?
-Claro, claro. - Revirei os olhos.
-Com licença! - Uma voz alegre disse.
Reconheci a voz.
Uma mão vestida em uma luva branca tocou o ombro daquela pessoa. Eu fiquei sem ar por um momento, mas não tive outro ataque de medo. E ele apenas virou a cabeça, irritado.
-S-Shiro?
Ele veio atrás de mim? Por que?
-Olá, Ame! - Ele disse sorrindo e pois as mãos na cintura. - Ora, ora, Ame, fez um amigo na sua fuga, é? Estávamos preocupados com você. - Fazendo uma cara de preocupação, de repente.
-Eu não fugi! - Suspirei. - É... talvez.
-E quem é ele? - Shiro segurou o rosto daquela pessoa, o olhando. - Parece ser um Condenado, hm?
-N-não.
-Tire a mão de mim! - Ele afastou Shiro. - E você também parece ser um, para falar a verdade! Está dizendo o quê?!
Shiro deu de ombros, sorrindo. Ele voltou a olhar para mim.
-Nídia me contou o que aconteceu. E isso só me convenceu ainda mais do que eu presumia.
-Ah, ela contou? - Eu disse, desanimada.
Então, todos já deviam saber.
-Me desculpa, Shiro. Aquilo foi...
-Inevitável. - Ele disse, quase cantando. - Eu esperava que acontecesse. Lembra-se da chave que eu havia te dado?
-Hm.
-Não foi por acaso, é claro. - Ele passou os dedos no cabelo prateado que brilhava por conta do sol que batia. - Aquela chave era do seu pai.
Meu coração se espremeu por um momento. Mais decidi que não iria mais chorar por aquilo.
-Se você tivesse algum contato com o seu passado, com algo dele, ainda, achei que o poder que ele selou em você iria se manifestar.
-P-poder? - Eu fiquei paralisada por algum tempo, pensando. - Selou? Meu pai selou aquilo dentro de mim?!
Shiro assentiu, sorridente.
-O Poder de Ametista. Algo extremamente poderoso. - Ele passou a mão no queixo. - Eu acho, que como você acabou de sair daquela caixa de Pandora, o Anjo Negro ainda está fraco.
-A-Anjo Negro? Shiro, o que está me dizendo é...
-Calma, calma. - Ele sorriu. - Você ainda não precisa se preocupar com isso. Máh! Eu explico isso mais tarde. - Ele olhou para o céu, sorrindo. - Agora vai chover. Não querem se molhar, não é?
-Chover? - Aquela pessoa disse.
O céu estava lindo, alaranjado, e o sol ainda estava ali. Não haviam nuvens nem nada.
-Ei, Ame. - Ele se virou de novo, saltitando. - Pode trazer o seu amigo conosco, né? Vamos, vamos!
Shiro saiu saltitante entre as árvores, desaparecendo. Mas eu não liguei muito. Voltei a encarar o garoto.
-Você pode vir comigo, se quiser.
Ele bufou, irritado. Parecia que algo estava errado. Mas já que Shiro havia permitido, não havia problemas, certo?
-Aquele cara era definitivamente um Condenado.
Eu ri.
-É, quem sabe. Você vem?
Ele suspirou, olhando o céu de novo. Colocou as mãos nos bolsos rasgados. E eu realmente esperava que ele dissesse sim. De alguma forma, agora eu sentia que precisava daquela pessoa.
-Não é estranho?
-O quê?
Eu ri.
-É, quem sabe. Você vem?
Ele suspirou, olhando o céu de novo. Colocou as mãos nos bolsos rasgados. E eu realmente esperava que ele dissesse sim. De alguma forma, agora eu sentia que precisava daquela pessoa.
-Não é estranho?
-O quê?
Ele riu.
-Aquele cara disse que vai chover, mas o céu está limpo.
-Idiota. - Eu ri, sem vontade.
Eu comecei a puxa-lo pela camisa, mas ele nem se quer saiu do lugar.
-Você não acha isso repentino? - Ele segurou meu braço, me forçando a voltar a olha-lo.
Eu o encarei meio desolada, mas sorri.
-Não temos nada a perder, afinal. - Dei de ombros. - E você parece precisar de ajuda. - Eu disse, maliciosa.
-Calada! - Ele me deu um leve tapinha na cabeça. - Ok, ok.- Suspirou. - Não tem jeito. Eu vou ser sua babá.
-Quem disse?! - Eu sorri sarcástica.
-Eu disse. - E pois as mãos atrás da cabeça.
-Ei, ei, crianças, querem me acompanhar!? - Shiro reapareceu, acenando, sorridente como antes.
-C-crianças? - Aquela pessoa disse.
-Calado. - Continuei a rir sem vontade.
Seguimos Shiro até uma estrada de terra, onde, o que eu esperava dele, uma carruagem nos esperava.
-Que coisa gay. - Escutei aquela pessoa reclamar, sendo irônico.
-Fique quieto!
“...E aquele definitivamente, era um novo começo. E é aqui, que a história, realmente se inicia.”
-Você ainda não me disse o seu nome. - Arqueei uma sobrancelha.
Ele suspirou, irritado.
-Lionel. Lionel Kioshida.
-Oh. Que nome adorável. - Shiro sorriu para ele, segurando de novo o seu rosto.
-Acho muito comprido e difícil. - Bufei.
-Me solte! - Ele afastou a mão de Shiro novamente. - C-como é, pirralha? - Riu sem vontade.
-Kio.
-Hm?
-Aquele cara disse que vai chover, mas o céu está limpo.
-Idiota. - Eu ri, sem vontade.
Eu comecei a puxa-lo pela camisa, mas ele nem se quer saiu do lugar.
-Você não acha isso repentino? - Ele segurou meu braço, me forçando a voltar a olha-lo.
Eu o encarei meio desolada, mas sorri.
-Não temos nada a perder, afinal. - Dei de ombros. - E você parece precisar de ajuda. - Eu disse, maliciosa.
-Calada! - Ele me deu um leve tapinha na cabeça. - Ok, ok.- Suspirou. - Não tem jeito. Eu vou ser sua babá.
-Quem disse?! - Eu sorri sarcástica.
-Eu disse. - E pois as mãos atrás da cabeça.
-Ei, ei, crianças, querem me acompanhar!? - Shiro reapareceu, acenando, sorridente como antes.
-C-crianças? - Aquela pessoa disse.
-Calado. - Continuei a rir sem vontade.
Seguimos Shiro até uma estrada de terra, onde, o que eu esperava dele, uma carruagem nos esperava.
-Que coisa gay. - Escutei aquela pessoa reclamar, sendo irônico.
-Fique quieto!
“...E aquele definitivamente, era um novo começo. E é aqui, que a história, realmente se inicia.”
-Você ainda não me disse o seu nome. - Arqueei uma sobrancelha.
Ele suspirou, irritado.
-Lionel. Lionel Kioshida.
-Oh. Que nome adorável. - Shiro sorriu para ele, segurando de novo o seu rosto.
-Acho muito comprido e difícil. - Bufei.
-Me solte! - Ele afastou a mão de Shiro novamente. - C-como é, pirralha? - Riu sem vontade.
-Kio.
-Hm?
-Vou te chamar de Kio.
Nos encaramos por alguns instantes ali. A carruagem começou a se mover.
-Tipo, de Kioshida. Vou falar só Kio. - Dei de ombros.
-Eu entendi isso! Não precisa explicar!
-Não mesmo...? - Eu ri, maliciosa.
Ele me jogou um olhar irritado, mas sorriu também, de lábios fechados. Fiquei sem graça, mas disfarcei, olhando para a paisagem lá fora.
-Ame.
Nos encaramos por alguns instantes ali. A carruagem começou a se mover.
-Tipo, de Kioshida. Vou falar só Kio. - Dei de ombros.
-Eu entendi isso! Não precisa explicar!
-Não mesmo...? - Eu ri, maliciosa.
Ele me jogou um olhar irritado, mas sorriu também, de lábios fechados. Fiquei sem graça, mas disfarcei, olhando para a paisagem lá fora.
-Ame.
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