quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Broken Heart - Chapter 2 - Small reminder

"O amor... é algo curioso. É doce e salgado. Simples, plano, misterioso e complicado.
E se é tão boa essa sensação calorosa, porque agente tem que sofrer em dobro?
A resposta é... simplesmente, porque vivemos em função de outra pessoa. E ela se torna parte de um ponto delicado do nosso corpo. Que não é o nosso coração.
Mas, quem sabe, nossa mente..."

-Ei, está apertado aqui dentro!!
-Claro, claro, você está pisando no meu pé. - A voz calma de antes.
-V-v-você está com a mão no meu... T-t-tarado!!
-Espera?! O que?!
Bati a cabeça em algum lugar e a porta se abriu. Ele caiu em cima de mim, com os braços sustentando o corpo para não me esmagar.
Antes que notássemos nossas posições, observamos o cenário com os olhos bem abertos, assustados. Tudo estava completamente destruído. E ali era apenas o corredor do segundo andar.
Me levantei, engatinhando para me libertar de debaixo dele.
-O que aconteceu? - Já de pé. - Esse lugar... ontem... A festa?! - Olhei para os dois lados, como se estivesse procurando por algo. - Q-quem...? Cadê todo mundo?
Ele se levantou, passando as mãos nas roupas esverdeadas meio amassadas. Eu o encarei, enfezada novamente. Mas agora, no claro, dava para ver nitidamente quem aquela pessoa era. Fiquei surpresa no começo, mas depois revirei os olhos, me virando contra ele de braços cruzados.
-Então, você é o tal Ryu que fez aniversário. - Suspirei, irritada. - Não sabia que... O quê??
Seus braços me fechavam contra o seu corpo. Como antes, tentei me soltar, o tirando de perto de mim bruscamente.
-Ei! O que pensa que está fazendo??
Ele arqueou uma sobrancelha.
-Você não é a Emily Keigara?
-Não me responda com outra pergunta, idiota! Como sabe o meu nome?
-Porque... - Ele encarava o teto. - Porque meus pais me disseram que os Keigara disseram que eu iria me casar com a única filha deles, Emily.
Meu coração se apertou por um momento. Ele voltou os olhos para mim, mas eu o olhava sem prestar atenção em sua real presença.
Fiquei chateada, primeiro porque, aquela pessoa... eu jamais a vira na minha vida. Segundo, porque eles tomaram aquela decisão sobre mim sem o meu conhecimento e nem pude dizer algo contra.
-P-por que...? - Baixei a cabeça.
-Emily?
-Meus pais disseram isso mesmo? - Não pude deixar minha voz se deixar cair pelo meu desapontamento.
Ele se abaixou a minha frente, prendendo meu rosto entre suas mãos.
-Tem algo errado?
Eu o encarei irritada, empurrando seu corpo novamente. Comecei a andar pelo corredor destruído.
-Fique longe de mim! - Gritei, enquanto andava apressada, querendo me distanciar daquela pessoa.
Ele me seguiu, ignorando minha raiva em relação a ele.
-E fiz alguma coisa errada?
Eu olhei sobre o ombro por um momento, sorrindo sarcásticamente.
-Que isso. Nada mesmo. Apenas está apoiando um casamento arranjado entre nós do qual eu nem tinha conhecimento até você e sua boca estupidamente grande mencionarem.
-Oh, então está irritada. - Sua voz calma me irritava ainda mais.
-Você notou?
Paramos, atônitos. O grande salão estava totalmente destruído.
Escutei um riso ao meu lado. Por que aquele idiota estava rindo da destruição da sua própria casa?
Desci as escadarias do grande salão com pressa, segurando a renda do vestido para não tropeçar. Passei por entre os restos do evidente duelo de balas da noite anterior.
Vi um homem mais adiante parado ao lado da porta. Meu coração acelerou. Parecia ser um policial ou algo do gênero.
-Graças a Deus! - E corri ao seu encontro.
-Espere um pouco. - Ryu tentava me acompanhar.
A princípio, o homem se assustou com nossa aparição. Mas aí então sorriu.
-Senhor Keimura! Estávamos preocupados com você! - Ele disse,
-Ah. De fato deviam estar.
A voz convencida de Ryu parecia ser um som deformado que perturbava os meus ouvidos. Revirei os olhos.
-Onde estão todos? - Agora, eu perguntei.
-Ah, você deve ser a filha dos Keigara. Sim. Todos fugiram do evento ontem a noite. Ninguém se feriu. E os bandidos conseguiram fugir, infelizmente.
-Não acharam nenhum corpo? - Ryu perguntou, passando a mão na longa trança.
-Nada. - O detective deu de ombros.
Nenhum corpo? Ah, era verdade. Ontem a noite, a presença daquela pessoa também me surpreendeu no meio daquela troca de balas. Mas, Ryu... ele matou aquele garoto, não é? Aquela pessoa não iria mais voltar a me procurar.
Suspirei.
-Algum problema, madame? - O homem chamou minha atenção.
-Ah. Definitivamente nenhum, senhor. Obrigado. Agora - Olhei para Ryu que sorria estupidamente, como sempre. - O que vamos fazer?
-Madame, me desculpa. - De repente o detevive voltou a falar comigo. - Eu esqueci de mencionar.
-Hm?
-Os pais da senhorita, os mestres Keigara, eles estão...
A última palavra me saiu em branco. Mas jurei escutar: "desaparecidos".
Eu não percebi, mais meus olhos tremeram e eu deixei algumas lágrimas escaparem.
-Pode ser quê - Fingi estar bem. - eles apenas tenham saído daqui assustados, já que a nossa família tem muito dinheiro. E talvez não disseram para ninguém para onde foram.
-Me desculpa. - O homem disse, suspirando.
-Tudo bem. - Ryu se intrometeu. - Emily vai ficar bem se estiver comigo.
-Prefiro cortar meus pulsos. - Eu disse baixinho, e saí andando em direção a saída.
Lá fora, seguia o jardim de rosas azuis que contornava toda a propriedade. Era lindo, mas naquele momento, eu planejava andar até meus pés sangrarem e então, morrer em paz.
Mas isso não seria possível.
-Emily! - Uma mão agarrou meu braço.
-Me solta, seu idiota!
-Pare de ser tão malcriada. Eu não sou - Ele suspirou. - mm simples mauricinho esnobe ou seja lá o que for que você pensa. Eu apenas concordei com o casamento, por que achei que você iria se lembrar de mim.
-Do que você está falando? - Comecei a berrar, chorando. - Eu nunca te vi na minha vida até a noite de ontem! Por favor, por favor, por que você não me deixa em paz?! Me solte!
Eu me debati mais um pouco até algo me acertar no meu lado esquerdo do rosto. Parei.
Ryu teve mesmo a coragem de me bater?
-Pare de agir como uma ridícula mimada. - Ele prendeu meu rosto choroso em suas mãos. - Eu já disse que vou te ajudar, não disse? Emily, quero que escute. Dês daquela vez, eu sempre fui... debilmente apaixonado por você. Não se lembra?! Não se lembra que fomos tão amigos quando tínhamos apenas onze anos? Quando você caiu naquele rio e quase se afogou!? Não se lembra?!
Me lembrar?
"Era uma linda paisagem de fim de tarde. Aquelas crianças brincavam a beira do lago, olhando para o céu alaranjado.
-Meu anel! - Estendi a mão tentando pega-lo no ar.
-Deixa o anel pra lá. - Ele riu. - É só um anel.
-É algo especial, idiota. - E mergulhei.
A mão do garoto bem que tentou agarrar minha perna, mas eu já estava sendo levada cada vez para o fundo. Eu tentava enxergar o anel afundando comigo, mas ele simplesmente tinha desaparecido. Eu não sabia nadar. Então, tentar iria ser inútil.
Algo me puxou para cima, mas eu não me lembro bem o que aconteceu direito.
Eu jurava que tinha ficado mais de dois minutos debaixo d'água. Eu sufoquei e fiquei sem oxigênio.
Por isso, algumas partes dos meus nove aos onze anos foram apagadas.
-Ryu... n-não me deixa sozinha. - Me encolhi nos braços dele, com frio e desacordada.
Ele  me olhava desesperado, tentando fazer com que eu reagisse fazendo pressão com as mãos sobre meu peito.
-Eu prometo, eu prometo! Agora, respire, Emily! Sua idiota, por causa de um anel...?
-Seja sempre como você é, Ryu. Uma pessoa nobre e gentil... Acho que... vale a pena ter alguém como você como amigo. Porque você... - Eu falava ainda meio inconciente, tentando respirar. - você entende como me sinto... em relação aquelas pessoas que não nos querem por perto. Então, não me deixe sozinha, Ryu.
-Calada! Respire! E-eu te amo tanto, Emily! Você que não pode me deixar!
Eu sorri, apagando de vez.
-Obrigado. Eu prometo."

Por que aquilo que mais queremos, não podemos ter?
Talvez por que aquilo que realmente queremos, seja difícil de descobrir o que é.
E por isso, todo mundo é tão estúpido.

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