"Eu me lembro... Eu me lembro apenas de um rosto. No meio das trevas e das chamas, eu vi um último rosto. Esse rosto estava assustado. A mão estendida tentando me alcançar. Gritava por mim, inutilmente, porque eu estava completamente incapaz de reagir contra aquela fumaça que me asfixiava. Pouco a pouco, foi tudo sumindo. Tudo... sumindo.
E a escuridão me consumiu."
-Minha mestra, princesa Lídia, o que devo fazer nesse momento sob suas ordens? - O homem, curvado diante da garota, falava com os lábios em sua mão.
Ela nem se quer olhava para ele. Parecia distante. Mesmo assim, recebeu a pergunta e demorou um tanto para responder.
-Eu já lhe dei suas ordens, Nehi. Agora quero que as cumpra rapidamente e com perspicácia. - Disse em um sussurro frio. - Está liberado para usar todo o seu poder. Eu não ligo.
-Tem certeza, minha princesa? Eu posso judiar um pouco da minha mestra.
-Se ela estiver com o prisioneiro, não tem porque poupar poderes. Ambos são muito poderosos. Claro, que só irão ser assim se um ajudar o outro. O que não irá acontecer. - Novamente em um sussurro. - Se um deles estiver morto.
Nehi alargou os lábios em seu sorriso malicioso e beijou a mão da garota, em um sinal de retirada.
-Seu desejo, como sempre, é um prazer, e uma ordem.
-Ei, Keiko, não ligue para o que ele disse. - Eu andava o carregando nas costas. - Eu realmente não faço isso por super influência sua.
Keiko ainda não havia engolido o que o anjo loiro, Ikoshi, tinha dito: "Então porque estão indo para Gaiak com más intenções em mente? ... Fazendo isso para sobreviver? Talvez, Aiko sim. Por influência sua."
Ele me apertou ainda mais em seus braços. Seu cheiro doce era tão bom...
-Keiko-sama. Por favor, para. Não suporto te ver assim.
-Aiko... não quero... te fazer sofrer. - Sua voz saía fanhosa.
-Calado, baka. Quem te disse isso? Você nunca me fez sofrer. Pelo contrário. Foi você quem me manteve firme até hoje, Keiko. Mesmo do nosso jeito malandro, eu ainda estou aqui, de pé, e, por mais que eu reclame de tudo, eu estou feliz! Pare com isso... Você é muito importante para mim!
-S-sou nada... V-você não me entende... V-v...
Eu o joguei no chão, de braços cruzados.
-Arf, não tenho paciência para isso, Keiko! Por favor, tente manter uma identidade apenas! - Continuei a andar por entre as árvores. - Saco...
-Me desculpa. - A voz mudou novamente. - É sério, Aiko. Se o que aquele cara disse é verdade, eu não quero que você se mantenha perto de mim por medo do que eu posso fazer a você se tentar me contrariar. Sabe que as vezes eu sou mal. Mas por causa dessa maldição idiota. Não tem nada a ver com nossa amizade.
-O que é real, então? - Eu parei, olhando por sobre o ombro.
-Eu realmente te amo.
-E eu realmente não me importo. - E continuei a andar.
Keiko e eu, a partir do encontro com Ikoshi, decidimos procurar o tal demônio que estava a solto. Então estávamos retornando a Marrona em busca de pistas. Não que um verdadeiro demônio deixasse pistas, mas, quem sabe.
"Se isso fará com que todos me perdoem por tudo, eu aceito. Mesmo que eu me machuque, mesmo que eu morra. Vale a pena."
-Eu também quero ser perdoado, Aiko. Quero ser como você. Uma pessoa incrível. - Voltamos a conversar.
Abaixei minha cabeça. Aquelas eram palavras muito fortes para uma pessoa como eu. Eu nunca fui forte. Para ser forte, você precisa ter pelo o que ser forte. Pelo o que lutar.
-Eu não sou incrível, Keiko-sama. - Sussurrei. - Faz quinze anos dês daquele dia que caminho sem rumo, sem ligar para o que acontece a minha volta. Nem se quer tentei procurar algo sobre mim, sobre meu passado. Mas agora... Agora eu acho que finalmente tenho algo realmente importante pelo o que lutar. Vou recomeçar. - Eu o olhei, com um certo sorriso. - E quero que você esteja ao meu lado.
-Sempre. - Ele sorriu.
-Sempre. - Repeti, mostrando a língua.
-Então, aquela baka acha que vai conseguir realmente me pegar? Rá. Que piada. - Ele sorriu maliciosamente. - Acho que é hora de por o cachorro na coleira. Hm...né? Aiko-chan.
-Arf, finalmente, conseguimos, Keiko-sama! - Eu pus meu pé sobre uma pedra, satisfeita pela viagem ter acabado.
-S-sim... Minha barriga... d-dói... - Ele vinha cambaleando.
Mostrei a língua para ele e dei um tapa em seu braço, quase o fazendo cair.
-Você supera. - Apontei para frente, na direção certa. - Agora, temos o que fazer!
Eu o peguei pela mão e fui o arrastando, animada, para dentro da cidade em ruínas.
Aquele lugar... estava tenso. Uma má energia saía dali. As janelas abriam com uma brisa sussurrante. Eu jurava que podia ouvir o grito das pessoas. Mas não daquele lugar. De uma lembrança qualquer. Que eu tento desejava esquecer para sempre.
-Keiko-sama, aqui! - O chamei, com entusiasmo. - Olhe, olhe! Será que isso
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