sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Dardark - Capítulo 3 - Mudança de planos

-Ei, Keiko, vou aterrissar por aqui. Minha magia vai se esgotar daqui a pouco e, você não se agarra em mim direito e é muito pesado! - Eu o puxei para cima com as pernas.
-Ah, e você acha que é fácil?! Além disso, que altura é essa?!! Muito alto!! Vamos para o chão!
-Pare de se mexer! Saco, vai acabar chutando uma asa minha e ambos vamos nos quebrar lá em baixo!
Tentei ir um pouco mais para cima para pegar uma boa corrente de ar que ia em direção ao chão de árvores.
-Droga!! Acabou! - Eu me agarrei a ele. - Vamos cair!
-Bakaaaaaaaaaaa.......!

-Acho que ouvi alguma coisa. - O anjo loiro disse.
Mas não havia quem o ouvisse.
-Saaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai! Keiko-samaaaa!
-Estou ouvindo, o que quer que eu faça...?!!
As duas pessoas passaram caindo ao lado da criatura alada que se desviou quase sendo atingindo.
-Mas o que...? - Tentou seguir os dois com os olhos.

-Keiko, você está cima... n-não consigo respirar...
-Ah, desculpa! - Ele se apressou em me libertar de seu peso.
Me sentei. Minha cabeça doía. Keiko, ja de pé, estendia uma mão para mim. Eu revirei os olhos e me levantei sozinha.
-O que foi aquilo, afinal? - Agora eu ajeitava meu cabelo coberto de folhas que teriam amortecido a queda. - Ainda não enguli aquela história de Marrona. Porque um portal das Trevas foi aberto lá? Que assustador... E aquelas pessoas também. - Estremeci ao me lembrar. - Quero acabar com quem fez aquilo! Aquelas pessoas tinham família! Tinham um lar, uma vida...
Keiko tirou com a mão um pouco da lama que sujou seu rosto com o baque. Senti sua mão tocando meu ombro.
-Não iria ter a mínima chance. Acho mesmo que foi um demônio que abriu aquele portal. Alguém realmente poderoso. E de qualquer forma, não é da nossa conta. Isso é trabalha par aqueles caras com asas que estavam lá.
Me virei bruscamente para Keiko, o segunrando firme pelo casaco.
-Você não entende, Keiko?! Eu também sou! Eu também sou uma criatura daquelas! Uma coisa do mal! E que mal consigo me controlar quando uso minha verdadeira identidade! Eu queria... eu queria poder chegar e... Eu queria poder salvar aquelas pessoas! Mas... mas... - Eu o soltei, me virando com raiva. - Saco! Porque não posso ser como quero?! Porque as coisas não podem parecer certas pelo menos uma vez?! Veja por esse lado, Keiko-sama - Me virei novamente para ele, o empurrando contra o tronco de uma árvore. - Eu sou conhecida como Assombro Negro e... você acha que isso é vida? As pessoas tem medo de mim! Medo de chegarem perto, de perguntarem minha situação! Para elas, eu sou uma criminosa! Não quero ser, Keiko! Quero ajuda-las...! - Falei, suplicando.
Deixei minhas pernas tombarem e cai aos pés de Keiko, tremendo de raiva.
-Aiko-chan. - Ele pois as mãos sobre meus ombros novamente. - Eu... Vamos dar um jeito. E não é apenas você. Esqueceu que eu sou o Duas Faces? Ambos vamos dar um jeito nisso.
-Ah. Esqueci. - Olhei para ele, enfezada. - Você é o Duas Faces. Por isso é tão paga-pau. Pare com essa vozinha amorosa. - Me levantei, passando a mão no cabelo e lhe dando as costas. - Temos que ir para Gaiak. Vamos lá.
-A pé, Aiko-chan...? - Ele disse em uma voz infantil.
-É! Saco... assim me deixa irritada!
-Espere um minuto! Não vá tão rápido!

Capital de Goiak, palácio dos Herdeiros.

Tudo estava tão calmo naquele final de tarde. A garota penteava os cabelos sentada sobre o peitoril da grande janela. Alguém bateu na porta.
-Entre, por favor. - Sua voz era graciosa.
O homem caminhou sereno até a garota. Ela olhou para seus olhos e voltou-se novamente para a paisagem do lado de fora.
-Sim. - Ela parecia ter respondido a uma pergunta que ele nem precisou faze-la em alta voz. - O nascido das Trevas, guardião daquela impostora, está detido.
-Não mais, minha princesa.
A escova deslizou de seus dedos, caindo a alguns vinte metros a baixo da janela.
-Nehi, por favor, diga que isso é mentira.
-Me desculpa, minha donzela, mas, é verdade.
Ela desceu com cuidado do peitoril para não amassar o longo vestido branco rendado. Fitou com certa severidade os olhos vermelhos de seu criado.
-Eu o quero morto. E aquela garota... - Ela saiu andando em direção a porta. - Aquela garota também. Agora!
Ele ajeitou os óculos redondos e sorriu, seguindo sua mestra.

-Ei, idiota, estamos andando a horas! Porque não se transforma e nos agiliza?! Estou ficando sem paciência! - Keiko reclamava ao meu lado, me irritando.
-Cale a boca. O único idiota aqui é você. Se quiser ir a algum lugar continuei movimentando seus pés. E de graças a Deus por te-los ainda. - Eu revirei os olhos, suspirando. - Duas Faces, né...
-Ah! Não aguento mais, Aiko! Eu quero chegar logo e comer alguma coisa! Você acabou com o saco de pão de queijo! Saco! Saco, saco, saco!
-Cala boca... - Suspirei de novo.
Já fazia uma hora e meio que entramos no deserto Sabaku. O sol estava insuportável e estávamos realmente com muita fome. Mas aquele era o caminho mais seguro que poderíamos passar sem alguém nos perceber.
Algumas vezes eu forçava Keiko me carregar quando suas personalidade mudava para sua parte graciosa e gentil. Mas isso não ajudava muito. Eu apenas o cansava. Assim íamos ainda mais devagar.
Mais algum tempo andando e alcançamos novamente a vegetação. E então resolvemos dar uma parada.
Procuramos por algum lago, mas só havia pequenas poças que deviam ter se formado com a chuva. Era melhor do que nada. E bebemos dela.
Joguei meu corpo sob a sombra de uma árvore de cerejeira que deixava o lugar glorioso. O Keiko gentil estava ali, e se sentou ao meu lado.
-Eu te amo, Aiko-chan! ♥ - Me prendeu em seus braços.-Apenas cale a boca. - Suspirei, pondo minha mão em sua cara, o afastando.
Depois disso, deu algum tempo e nós caímos no sono. Estávamos exaustos.

-Então, estão aí. - Ele pousou sobre o tronco da árvore, fitando as duas pessoas desacordadas. - Patéticos.
Eu me revirei. Algo estava fazendo cócegas em meu pescoço. Abri os olhos, enfezada.
-Keiko-sama...
Me pus de pé, o chutando no estômago.
-Seu tarado! Pare com isso ou vou te por para correr!
Mas ele ainda dormia, o que me fez chuta-lo de novo.
Estava com tanta fome que dava para sentir meu estômago se comendo por dentro.
-Será que por aqui tem algumas frutas...? - Olhei ao redor.
-Porque não me deixa leva-la comigo? A prisão de Kraios tem comida o suficiente para alimentar dois ladrões tão gloriosos como vocês.
Escutei. Meus olhos se arregalaram e, em um reflexo, olhei para sua origem. Mas não havia nada ali. Senti uma brisa bater em meu ouvido esquerdo, virando novamente o rosto, agora dando de cara com dois olhos apreensivos do mesmo cara loiro que havíamos visto em Marrona, e depois, em quanto caíamos.
Pulei para trás. Minhas mãos transformadas prontas para causar danos na criatura divina.
Ele encostou os pés no chão e suas asas desapareceram. Pois todo o cabelo loiro para frente, os alisando, fingindo estar destraído.
-Vocês dois são muito famosos, tenho que admitir. - Seus olhos encontraram os meus. - Realmente dão muito trabalho para todos.
-E você seria? - Apontei uma garra para ele.
Ele sorriu, dando uma volta, como uma paço de dança, fazendo seus cabelos voarem.
-Eu sou Ikoshi, o Anjo do Sol. Meu trabalho - Ele piscou para mim. - É iluminar o seu dia.
Revirei os olhos, encolhendo minhas garras, transformando-as em mãos novamente.
-Mais um idiota. - E caminhei até Keiko. - Acorde de uma vez! Temos que ir!
Ele gemeu e continuou a roncar. Pus a mão na testa.
-Que ridículo...
-Então vocês dois não são tão assustadores como as pessoas imaginam. - Ikoshi começou novamente.
O encarei com os olhos em fendas.
-Mas é claro que não. Eu não escolhi essa vida por opção. Diferente de um cara como você.
-Ora, que rude. Eu também não tive a opção de escolher se eu queria ou não ser o que sou. - Ele sorriu. - Assombro Negro... creio que você tenha um verdadeiro nome.
Me sentei ao lado de Keiko, de braços cruzados, ainda encarando o homem ali em frente.
-Não te interessa. Irá querer duelar conosco ou vai embora de uma vez?
Ikoshi também se sentou no chão com as pernas cruzadas. Ele apoiou a cabeça sobre uma mão, sorrindo.
-Não tenho a mínima intenção. Se eu quisesse realmente leva-los já teria feito isso em Marrona.
-E o que você estava fazendo lá afinal? O que aconteceu? - Fiquei mais interessada naquela pessoa. - Aquela luz... Você sabe o que foi?
-Ah, sei. - Ele riu abafado. - Aquilo foi... Hãm?
Ele olhava com o olhar perdido ao meu lado. Virei a cabeça, sem interesse em descobrir o que estava nos interderindo.
Keiko o encarava, assustado, apontado para Ikoshi com uma careta assustadora.
-Mas que diabos...? - Urrei. - Finalmente acordou.
-Como eu dizia, aquilo era um portal para o verdadeiro inferno, uma passagem das trevas. - Ele sorriu sem abris os lábios. - Estávamos tentando fecha-lo. Mas acho que o que queria sair dele conseguiu fugir. De qualquer forma, misteriosamente, ele entrou dentro da catedral. Ficamos preocupados e mantemos distância, porque ali dentro ainda haviam pessoas. Foi o único lugar que quase não foi atingido, apesar de estar no ponto centro da origem do portal. Se entrássemos ali, com certeza, haveria um conflito e corria o risco do lugar desmoronar.
-Então era um demônio.
-Sim. Alguém muito poderoso.
Eu me encolhi, pensativa.
-Quero agarrar esse cara. Quem sabe eu limpe minha ficha assim.
Ele bateu palmas. Eu não entendi no começo.
-Impressionante. Então o Assombro Negro é apenas alguém desesperado para ter o perdão divino.
Fiquei irritada com a conclusão de Ikoshi, mas baixei os olhos, emburrada.
-Talvez seja isso. - Reafirmei.
-Então, então, esse cara está a solto? - Keiko havia mudado sua personalidade novamente. - Precisamos pega-lo! Né, Aiko-chan?!
-Isso vai me ajudar em algo? - PErguntei, irritada. - Bah, vamos embora.
Me levantei, já andando.
-Poderá ser livre como quer.
Parei. Verdade? Isso é verdade? Poderei me tornar a pessoa que quero? Isso seria maravilhoso!
-Verdade? - Perguntei em voz alta, mas nao virei o rosto para Ikoshi.
-Eu posso lhe garantir. Mas...
Eu me me virei, correndo até ele rapidamente, o segurando em suas vestes.
-Mas o quê?! - Suplicando novamente.
-Não acho que você realmente queira fazer isso.
Eu não entendi.
-Como assim? Se isso irá fazer com que todos me perdoem, claro que sim!
-Então porque estão indo para Gaiak com más intenções em mente? - Sua voz era séria.
Eu o soltei. Pensando bem, é mesmo. Eu queria ser perdoada, mas eu não fazia nada para mudar minha atitude.
Sou ridícula.
-Pare de falar essas besteiras para ela, seu debil mental! Quem é você para nos julgar?! - Keiko pois a mão em meu ombro. - Nós fazemos o possível para sobreviver!
-Talvez Aiko, sim. - Ele tombou a cabeça de lado, sorrindo. - Por influência sua, afinal.
Keiko arregalou os olhos, mas não disse nada. Aquilo era verdade. Keiko era meu único apoio. Era a pessoa que eu mais confiava no mundo. E era a unica pessoa também. Ele era minha família. Eu não ligava de seguir suas ordens por mais que fossem insensatas.
-Se eu fizer isso, você pode me prometer que todos irão me perdoar?
Ikoshi abriu suas asas, sorrindo. Eu não escutei uma resposta. Olhei para ele desaparecer no céu infinito. Depois disso, seguiu-se um silêncio. Só o vento sussurrava entre as árvores.
Keiko ainda estava paralisado. Não sei que parte dele havia escutado aquilo.
Tirei sua mão de meu ombro, e comecei a caminhar novamente.
-Esqueça Gaiak. Temos um demônio para caçar.

Ele sorriu.
-Que maldade, princesa. Vai querer brincar de gato e rato comigo?

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