terça-feira, 19 de outubro de 2010

Karine Haruno - New coordinates

Então, é isso.

-Mestra, mestra! Ah, agora eu sou bem mais alto que você, não é verdade? - Yooji não parava de pular de um lado para outro, animado.
Seus longos cabelos negros eram tão lindos... Yooji-san, você é tão lindo...!
-Mestra? - Ele parou a minha frente.
-N-não sou sua mestra, seu tonto. - Eu forcei um sorriso.
-Yooji-sama, se vai ser inútil, a sua ajuda, então nós vamos embora. - Keiji ainda não tinha terminado o maldito pirulito.
Ele se levantou e fuzilou Keiji com os olhos, e depois se virou para um velho armário ali ao canto. Começou a fuçar as gavetas de cima para baixo.
Sem ter o que fazer enquanto todos davam atenção a outras coisas, comecei a tirar o esmalte gasto das minhas unhas, raspando-o. Minhas mãos agora estavam tão esquisitas... diferentes. Estavam pálidas e minhas unhas pontudas.
-Eu não sei se irei poder fazer muita coisa. Talvez se eu soubesse que feitiço o Príncipe usou para transporta-la para o outro mundo, ficaria mais fácil. - Ele tirou um velho livro de capa vermelha de dentro de um saquinho verde de veludo. - Além disso, mesmo que saibamos o que foi feito naquele dia, sinto que existe uma energia-escudo entre a mestra e o Príncipe.
-N-não sou sua mestra...
-Uma energia-escudo, hm? - Keiji deu uma dentada no doce azul que pintava seus lábios. - Então, estamos lhe dando com o que?
-Eu acho, que seria mais prudente perguntar a ele próprio. Talvez ele não nos escute. Mas ele ainda deve ter uma vaga lembrança dela. Talvez se os dois se reverem, nossa perspectiva aumente.
-Esse Kizuru. Ele é um príncipe mesmo? - Tentei demonstrar que estava entendendo o que se passava.
Keiji se jogou no sofá de novo. Começou a lamber o palito do pirulito devorado.
-É. - Ele falava entre lambidas. - Pode se dizer que sim. Se não fosse pelo maldito do Eden seria de verdade. E quem sabe estaria governando toda Mayon e não estariamos trancafiados como cães raivosos nessa caixinha.
-Não comece a confundir as coisas. A mestra já está perdida de mais para começar a falar das forças superiores que nem mesmo você pode argumentar contra! - Yooji falava por cima do livro. Os olhos verdes um pouco acizentados. - Além disso, poderia ter sido evitado se não tivéssemos inventado de fugir do internado naquela noite...
-Não me venha com essa! - Keiji falava com os dentes trincados. O clima ficou tenso. - Kizuru estava certo em nos querer tirar daquele lugar! Não sei se você se lembra, mas quem foi o menino que foi pego na biblioteca e teve as costas detonados por um chicote de coro espinhento? Eu quase perdi uma orelha e o próprio Príncipe estava ficando louco naquele lugar! Eles o perturbavam mentalmente! Yasu foi trancado nove vezes no enforco e você diz isso?!
Yooji fechou o livro e apertou a pele da testa, suspirando.
-É, talvez. - Ele se virou para guardar o livro de novo. - Mas só digo que se tivéssemos aguentado um pouco mais, tudo estaria bem.
-E o Príncipe morto.
-Lá vem você. Kizuru era forte o suficiente. Pare de falar besteiras. - Yooji olhava com o rabo dos olhos para Keiji que, de pé em frente a ele, tentava parecer despreocupado com as palavras do amigo.
Keiji voltou a se sentar no sofá. Abriu um sorriso e ficou brincando com os dedos.
-Não foi você que mostrou a ele como poderia realizar o tal feitiço de teletransporte? Então, você deve saber qual é. Não estou certo?
Por um momento, vi Yooji tremer. Talvez ele tenha tido um mal devaneio. E então se virou para Keiji novamente. Os olhos em fendas.
-Uma Rosa Negra com um pedaço de alma. - Um silêncio, e continuou. - Eu não sabia que ele iria tentar praticar aquilo. Além disso, uma Rosa Negra é algo lendário. Não sei como o Príncipe conseguiu.
Keiji jogou o palito no chão e abriu um novo sorriso.
-Entendo.
-Yasu tem razão em ficar preocupado. Você deve saber... as consequências.
-Sim. - Mais um silêncio. - Então precisamos leva-la ao Príncipe por isso, nê? Isso vai ser divertido.

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