sábado, 16 de outubro de 2010

Karine Haruno - Hello, little master! Remember me?

Na verdade, quem eu sou de fato?

-Keiji-san! Isso doeu muito! - Eu derramava algumas lágrimas ainda sentindo a dor da agulha penetrando em minha pele. - P-porque esse botão tem que ser costurado? N-não podia ter sido apenas colado ou algo do tipo? D-dói!
Ele se balançava sobre os pés um pouco envergonhado.
-Me desculpa, Karin-chan. Mas agora ninguém sabe que você veio da dimensão proibida.
-E qual a diferença? Como esse botão vai ajudar em algo? - Ainda doía.
Mas Keiji fez algo - um feitiço? - que não fazia doer e sangrar tanto.
-A diferença é que se você se olhar no espelho vai ver que está diferente. Eu diria até mais bonita. - Ele riu. - E seu cheiro de sangue humano desapareceu.
-C-como assim? Meu sangue tem cheiro? - Eu procurava por algo parecido com um espelho pela grande sala.
-Boba! Para mim, sim. Para Yasu-nii-san também. E para muitos outros lá fora. Por isso tanta cautela.
-Ah, é? - Vi meu reflexo na lataria de uma armadura ao lado da lareira.
Me assustei e dei um pulo para trás.
-M-m-meu cabelo! E... e meus olhos?!
Meu cabelo caia em uma catarata um tanto rosa avermelhada e brilhante. Meus olhos estavam cada um de uma cor. Era muito estranho. Um vermelho e outro verde. Não era a toa que estava assustada.
-O que é isso, Keiji-san? Estou parecendo um... um...
-Uma feiticeira, né? Legal! Consegui, pelo menos de aparência, te trazer de volta.
-E-eu era assim?
Ele pulou para a poltrona. Pegou algo no bolso. Parecia um tipo de cigarro. Mas era mais comprido. E soltava uma fumaça com cheiro forte.
Eu tossi.
-Na verdade - Falava em quanto tragava o cigarro esquisito. - essa é sua verdadeira identidade. E você de fato é uma feiticeira. E das boas. Mas não sou a pessoa certa para te explicar tudo. - Ele sorriu segurando o chumaço de fumo na mão.
Enquanto eu me admirava - estava realmente muito mais bonita que antes - lembrei das palavras anteriores de Keiji. "Para mim, sim. Para Yasu-nii-san também. E para muitos outros lá fora. Por isso tanta cautela."
-Como assim?
-Hm?
Me virei para ele.
-Como assim para você e para Yasu?
Ele segurou o cigarro entre os dedos novamente e deu um sorriso tenebroso.
-Se-gre-do. - E riu com as próprias palavras.
-Hum! - Puis as mãos na cintura, agora um pouco irritada. - Não iamos ver seu amigo relógio?
Ele ficou olhando para minha cara por alguns segundos enquanto dava uma longa tragada.
-Me esqueci. - E saltou do assento. - E é Clock, Karin-baka. - E ele sorriu de novo.
Ele me dava nos nervos. Mas de alguma forma, Keiji tinha uma energia estranha que atraía as pessoas mesmo com seu jeito insano. Eu não sabia se e quando ele estava sendo sarcástico. Parecia que ele estava tirando uma da minha cara o tempo todo. Mas eu não tinha muito como saber. O jeito era aturar.
-Então vamos! - E ele me jogou de um segundo para outro sobre seus ombros.

As ruelas e becos da fortaleza eram estranhos. As pessoas se vestiam de uma forma esquisita. Todo mundo parecia ter saído de um século que eu não conhecia. Usavam capas, alguns usavam armaduras, as garotas mais novas que eu via, se vestiam com vestidos um tanto "abonecados", e quando não, eram roupas provocantes, mas ainda sim, elegantes e charmosas. Alguns usavam chapéis, e outros elmos de todos os tipos, formas, cores e tamanhos.
-Se formos andando, iremos demorar muito. - Ele suspirou. - Então, acho melhor você segurar firme.
-Que? Porq...?! Ah!
Keiji deu um salto. Ele começou a saltar de telhado em telhado, e quando não, batia com os pés nas paredes, escalando janelas de edifícios para um novo salto.
Depois de alguns minutos - os minutos mais longos da minha vida, pelo menos, até aí - chegamos a um beco muito estreito. No fundo dele, havia uma porta mal iluminada por uma luz que não parava de piscar. Estava prestes a queimar, provavelmente.
-Che-ga-mos! - Ele sorriu.
Saltei meio tonta do corpo dele para o chão.
-Baka, baka, porque não podiamos vir andando mesmo? Por mais que demorasse, seria melhor. A-acho que vou vomitar.
Ele se virou para mim ainda sorrindo.
-Pelo menos, você não mudou, né? Anão de jardim. - E ele foi quase saltitando para a porta a frente.
-C-como é? - Realmente, eu queria soca-lo.

Entramos numa sala oval. Era bem aconchegante. Quase toda a volta da sala era coberta por uma cortina aveludada roxa. Tornava o lugar bem quente.
-Clock-san?! Está aí? - Ele subiu com os sapatos sujos sobre o sofá e começou a andar por ele.
-O que esta fazendo? - Levantei um sobrancelha, já sem paciência.
Notei um cheiro gostoso no lugar. Um tipo de incenso.
-Saia da minha casa, peste! - Escutei atrás de mim e pulei para frente em cima de Keiji que descia do sofá.
Ele me segurou pela mão antes que eu metesse a fuça no chão.
-O-obrigado. - E voltei a atenção para a pessoa que acabara de aparecer. - Oh!
Ele era tão lindo! Ele tinha longos cabelos negros e os olhos eram duas pedras verdes esmeralda. Mais alto ainda do que Keiji. - Porque as pessoas eram tão altas naquele lugar?
-O que quer dessa vez? - Ele perguntou, um tanto irritado.
-Bom dia para você também, Yooji-sama! Ah, trouxe sua mestra, lembra-se?
-Q-que? - Ele fez a mesma cara que eu, confuso e aborrecido.
Eu estava meio que em transe com a beleza do homem alto ali. Não estava nem prestando atenção no que acontecia.
Yooji olhou para mim. E de mim voltou de novo os olhos para Keiji que tirava do bolso algum tipo de bala. O barulho da embalagem sendo retirada nos irritava.
-Quem é? - Ele perguntou, enfezado.
-Ah, olhe de novo. - E Keiji soltou o peso no sofá, se sentando.
Ele olhou sem muito interesse para mim. Mas dessa vez, ele parecia ter visto um fantasma. Porque levou a mão a boca e se jogou sobre os joelhos no chão.
-Karine! - Ele olhava de Keiji para mim. - O que você fez?! Ela não estava...
-Não, não estava e nunca esteve. - Ele lambia a bala que segurava entre os dedos.
Ele se levantou e se aproximou de mim. Fiquei meio confusa e envergonhada. O que eu devia fazer?
Mas ele agiu antes de mim e segurou delicadamente uma de minhas mãos, se curvou e novamente se ajoelhou.
-Karin, é realmente você? - Ele parecia admirar uma obra de arte.
Afinal, o que eu era naquele mundo?
-Em carne e osso. Pelo menos, antes que alguém consiga identificar a força espiritual dela.
Irritado, ele olhou para o Keiji que agora enfiou a bala na boca, mas lambia os dedos.
-E o que pensa que está fazendo trazendo a Karin tão desprotegida para cá? Idiota! Porque não me avisou!?
-Porque acabei de encontra-la. - Ele deu de ombros. - E ninguém iria notar mesmo. Já que eu puis um Doll Knoppie nela. Só alguém da vigia do magistério iria notar.
-S-seu idiota! Não é tão simples assim! - Ele voltou os olhos esmerada para mim. - E como colocou nela?
-Costurei. - E continuou a lamber os dedos como um gato.
-Q-QUE?! Onde está? Você está bem, Karin?! Onde ele...?
-E-eu estou bem, senhor. - Eu dei um sorriso amarelo. - N-não doeu. Tanto assim.
-Mas ela não se lembra de nada. Parece que Kizu-san tentou fazer um feitiço proibido para salvar o coro dela e isso afetou ambos. - Ele se deitou no sofá.
-É? Hm. - Sem soltar minha mão, ele pois o palmo da mão livre em minha testa. Ele era tão quente.
Diferente de Keiji. Durante nossa estranha viajem até ali, notei que sua pele era fria e dura.
-Como faz tempo, não sobrou nenhum tipo de registro de energia de algum feitiço. Mas... - Seus olhos encontraram meu olhar. - Karin, não se lembra de mim? N-nada?
Eu fiquei fitando as esmeraldas por algum tempo, um pouco assustada, mas balancei a cabeça.
-Me desculpe, Yooji-san.
-Ah! Mas então vou fazer você lembrar. A começar por isso. Não precisa pedir desculpas para um servo como eu. Eu sempre te falava isso. - Ele sorriu.
Fiquei viajando na imagem do lindo sorriso de Yooji.
-Mas você nunca obedecia, Karin. Então, ignore. Ele é apenas um sem personalidade que depende de alguém para ter o que fazer. - Keiji deu um sorriso malicioso.
-Cale a boca, seu idiota! - Yooji gritou meio desajeitado para Keiji.
Achei engraçado, e sorri.
Ambos se entre-olharam e olharam para mim quando voltei a minha expressão original.
-Hm, o que é? - Perguntei corada, olhando para meus pés.
-Você viu aquilo? - Keiji soltou um riso.
-Pequena, você sorriu. - E os lábios de Yooji se abriram em um sorriso de novo.
-Ahm, é mesmo? - Corei, desajeitada.
Depois de algum tempo de silêncio, Keiji se levantou com a mão no bolso, tirando novamente alguma coisa de lá.
-Mas, então. Como podemos faze-la lembrar de tudo? E o principal, quem ela realmente é. Se tudo não se ajeitar rapidamente, Yasu-nii-san disse que algo ruim irá acontecer. Mas não me contou o que. E que tem a ver com Kizu-san. Você sabe o que é, não é? - E ele começou a lamber o pirulito azul, que o deixava com a língua pintada.
Yooji se levantou. Ele e Keiji ficaram se encarando, e por um momento, achei que eles estavam tendo uma conversa muito particular apenas pela a troca de olhares.
Afinal, o que estava acontecendo?

Nenhum comentário: