quinta-feira, 14 de outubro de 2010

[Draft] Rescue me from this pain.

Porque tanta tortura?
... Se você pode acabar com isso com um simples corte?




[...]E de repente eu estava em um quarto. Aquele lugar me era me familiar. O cheiro, as cores, os brinquedos, o velho papel de parede azul... Tudo estava igual a antes.
Alguém se mexia em baixo dos lençóis.
Eu me aproximei da cama para olhar mais de perto.
"I-isso é..."
-Mãe... - A pequena criança chorava. - Mamãe!
A fresta da porta se abriu iluminando a única boneca solitária na prateleira. Aquela mulher era... era...
"Essa pessoa é... Mãe? Minha mãe?"
Ela veio como um anjo se ajoelhar ao lado da cama da pequena criança chorosa. A cena parecia tão real. Eu podia sentir o cheiro dela. Eu podia sentir a sensação de conforto que a presença dela me causava.
"Mãe..."
-Está tudo bem, Ame. - Ela sussurrou no ouvido da menina que agora tinha se sentado na cama. - Está tudo bem. Eu estou aqui.
-E-eu tive um sonho ruim. - E a menina enterrou a cabeça entre os joelhos, ainda tentando reprimir o choro.
A mulher de longos cabelos negros acariciava a cabeça da criança.
-Está tudo bem. Foi só um sonho ruim, eu estou aqui.
E ela me abraçou.
"Mãe...! Mãe!" Caminhei até ela pondo a minha mão em seu ombro. Mas, como se aquela cena fosse fumaça, a minha mão atravessou o corpo da bela mulher.
Meu rosto agora estava molhado. Coberto por lágrimas quentes que escorriam uma a uma.
"Porque? Porque...? Porque!!?"
-Shh... tudo bem, tudo bem.
Eu deixei meu corpo cair no chão. Me contorci. Não queria ficar ali. Não podia aguentar. Não podia sentir aquele perfume. Aquela cena escondia uma ferida. Uma tristeza que me consumia e enfraquecia. Uma cicatriz profunda que não podia ser tocada nem alcançada.
"Mãe..."
E meu corpo foi levado par longe da cena morna e acolhedora, para junto daquela noite fria.
O corpo de Kevin estava tomado por vários fios que o transformavam em uma marionete. Kio estava largado ao chão. Provavelmente tendo um mal devaneio assim como eu. E Yen... Ele estava cravado a parede. A espada cega enfiada em seu peito. Pelo buraco no teto entrava a tempestade daquela noite de tormenta.
-Isso não é divertido, Ame-chan? - Aino dançava a luz da lua que iluminava vagamente um canto do quarto. - Não é perfeito?
Kio já tinha se recuperado. Eu estava em choque. Minhas mãos tremiam e meus olhos ainda jorravam lágrimas sem parar.
-A-Ame? - Escutei sua voz ao meu lado.
Eu me contorci e me levantei violentamente.
-Não!! Me deixem em paz!!
Abri a porta dupla no fim da sala violentamente e sai correndo pelo corredor.
"Que frio."
As janelas se quebravam em quanto eu passava ao longo do corredor comprido. Parecia não ter fim.
"Me sinto..."
Alguém corria atrás de mim. A porta a frente estava trancada. Noru e eu estavamos enfraquecidas e eu em estado de choque. Não havia poder. Meu corpo foi jogado com força contra a porta e eu me corte quando cai em cima dos cacos frios da janela.
-Ame!! - Um desespero.
"Me sinto... sozinha."
Sempre terá nosso apoio; estaremos sempre ao lado de voces; nós o amamos; tome cuidado, minha preciosa filha!
"Todos tem pessoas que os amam." Meu corpo foi envolvido por uma pele gelada. Mas me senti melhor. "Todos tem pessoas que os protegem. Todos os meus colegas... Meus amigos... Nid-chan, Jack-kun, Haruh-kun, Laki e Noki... Todos tem pessoas que velam por eles."
-Ame! Está me ouvindo!!? Ei!!? - Uma mão massageava minha cabeça por entre meu cabelo.
"Apenas eu... Estou sozinha."
-Ame... - Aino estava ali.
Eu já tinha decidido.
-Kio-san... S-se afaste, por favor. - Abri os olhos.
-Que!!? Está doida, idiota!? Mas é claro que não!! Voce está toda...!
-Saia de perto, Kio. - Pedi mais uma vez.
-Fique quieta! Irei te tirar daqui e...
Ele não conseguiu terminar a frase.
Eu o bati com seu corpo no teto, o deixando imóvel. Ele se contorcia tentando escapar.
-Ame! Não faça isso! P-pare!
O que está fazendo, baka? A voz de Noru veio me atormentar.
"Quero que essa dor pare."

Boa menina... Ame-chan. - Sua risada infantil fechou as cortinas daquela noite.
-Irei fazer essa dor cessar.

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