-Ei, Shiro, aqui é o quartel da Finnintor?
Ele assentiu com a cabeça.
-Sim. Ahm... Eu terei de falar com as superioridades. Me desculpa, Ame, mas é uma conversa particular, espero que entenda. - Ele franziu a testa, sorrindo.
-Ah, claro. Hm... Posso andar por aí para conhecer? Parece ser grande...
-Fique a vontade! - Ele sorriu. - Apenas não entre em salas com um símbolo azul em cima. São os escritórios dos ministros e salas de reunião. Não queremos nenhum problema, hm?
-Shiro, estão nos chamando! - Um homem falou no fim do corredor do outro lado do salão.
-Tenho que ir, Ame. Nos encontramos depois.
-Ok, Shiro. Fique tranquilo.
Ele fez uma cara tristonha.
-Ah! Porque voce não me chama de papai? Já que estou sob sua guarda como um responsável. - Seus olhos brilharam.
Eu corei um pouco e dei um sorriso amarelo.
-C-claro... p-papai...
-Nyaaa! Ok, ok! Nos vemos depois! - E ele saiu aos saltos, e desapareceu quando virou a esquina do corredor.
Suspirei, me recuperando.
A Finnintor parecia mais o palácio de um rei do que um quartel de elite que estudar artes do poder negro e a Escuridão. Todos os ambientes eram cheios de cortinas, móveis ornamentados com algum tipo de bandeja com aperitivos, chá ou café sobre as mesas, o chão de porcelanato brilhante, papéis de paredes estampados e lustres de castiçais gigantes! Além disso, o uniforme da Finnintor parecia uma fantasia: as mulheres usavam uma mini-saia, meia calça, bota cano alto de laço e uma blusa branca tipo colegial com um laço azul. E os homens uma camisa igualmente branca, uma fita preta no pescoço, um casacão preto com mangas largas e uma calça conjunto.
Mas isso era bem a cara da madame Kirina, a autoridade máxima da Finnintor. Apesar de sua postura severa, ela parecia uma boneca humana. Eu realmente não acreditei que uma organização tão importante era comandada por uma mulher. E ainda, uma mulher assim.
Além do mais, ela pretende me exilar de Minagawa. Motivo pelo qual Shiro foi chamado. Espero que tudo de certo.
Já fazia dez minutos que eu estava caminhando para cima e para baixo. Tinha parado em uma janela que dava para ver quase toda a capital de Kanaria. O sol ainda estava surgindo e causava um efeito maravilhoso ali.
O vento bateu no meu rosto e meu cabelo dançou no ar. Fechei os olhos. Como poderia fazer toda aquela confusão acabar? Gostaria de fechar a parte ruim, toda aquela parte ruim em uma caixa. Mas a realidade era dura e fria como uma pedra de gelo. E fechar os olhos só fazia mais más memórias aparecerem na minha cabeça. Voltei a olhar para o céu, e suspirei.
Me encolhi sobre as pernas ali no parapeito da janela. Fiquei daquele jeito por algum tempo.
Escutei um som. Hm, eu reconhecia aquele som.
Me virei aguniada para o corredor com parede de madeira, deixando o ambiente charmoso.
-O que é isso? Essa melodia... É... a... Heart Ties?
Meu corpo foi tomado por uma excitação. A pessoa que devia estar tocando aquilo, devia saber alguma coisa sobre o meu passado! Eu precisava encontrar aquela pessoa!
Sem pensar, fui seguindo o som. Parecia que eu queria agarra-lo no ar.
-Espera! - Gritei.
Dei de cara com um chão quando vi que tinha caido dentro de uma sala - achava que a porta estava fechada e entrei com tudo, hunf.
-A-ai...! D-dor... - Massageei minha cabeça com os dedos ainda no chão.
Abri os olhos meio tonta. Dei de cara com um banco de madeira. Havia alguem sentado sobre ele. E ali também havia um piano. Um maravilho e esplêndido órgão de madeira maciça.
Me levantei olhando para meus pés, envergonhada.
-Me desculpa, senhor. E-eu achei ter escutado... - Joguei os olhos para cima por um instante.
Mas então não voltei a olhar para baixo. Aquela pessoa me lembrava a alguem. Uma pessoa realmente especial.
Eu sempre irei proteger aqueles que estão abaixo de mim. E em especial, irei proteger a você. Um verdadeiro mestre tem que proteger seus servos. E não o contrário.
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