O rapaz de aparência jovial e cabelos brancos gargalhava diante de seu feito. A sua frente, havia uma pessoa jogada ao chão. Aquela pessoa ainda tentava se levantar. Ensangüentado, ele parecia proteger algo dentro de seu punho tremulo.
-Que patético! - Ele se aproximava daquela pessoa. - Seu pedaço de carne imundo. Queria proteger a quem? - Ele se sentou ao lado dele e segurou o homem quase morto pelo pescoço, o sufocando. - Aqui também será o seu fim.
-Vai se arrepender por causar tanta desgraça, Erick. O poder sagrado não... não irá permitir que seu triunfo continue... - Ele tentava afastar os braços de Erick do pescoço, mas seus braços estavam fracos. Ele falava como se estivessem tendo uma conversa comum. Sua voz estava calma.
Erick riu e soltou com violência a cabeça do homem loiro, que morria.
-Mesmo que sua amada tenha morrido, mesmo você próprio morrendo, continua tão perseverante, não é? - Ele soltou um riso abafado.
O homem no chão gemeu e tentou agarrar as vestes de Erick. Na mesma hora, sem compaixão, ele chutou o corpo dolorido daquela pessoa e tornou a se levantar.
-Está doendo?
Erick tirou um revólver do bolço do casaco verde veludoso e lambeu o cano ainda quente da arma. A carne da língua queimou, mas ele pareceu não ligar.
Novamente, ele caminhou até o homem que morria e deu uma última olhada em seu rosto.
-Eu sei que escondeu a outra metade do Poder de Ametista. - Novamente, tornou a lamber o cano da arma. Mas dessa vez, se demorou um pouco mais.
-Vai se arrepender por causar tanta desgraça, Erick. O poder sagrado não... não irá permitir que seu triunfo continue... - Ele tentava afastar os braços de Erick do pescoço, mas seus braços estavam fracos. Ele falava como se estivessem tendo uma conversa comum. Sua voz estava calma.
Erick riu e soltou com violência a cabeça do homem loiro, que morria.
-Mesmo que sua amada tenha morrido, mesmo você próprio morrendo, continua tão perseverante, não é? - Ele soltou um riso abafado.
O homem no chão gemeu e tentou agarrar as vestes de Erick. Na mesma hora, sem compaixão, ele chutou o corpo dolorido daquela pessoa e tornou a se levantar.
-Está doendo?
Erick tirou um revólver do bolço do casaco verde veludoso e lambeu o cano ainda quente da arma. A carne da língua queimou, mas ele pareceu não ligar.
Novamente, ele caminhou até o homem que morria e deu uma última olhada em seu rosto.
-Eu sei que escondeu a outra metade do Poder de Ametista. - Novamente, tornou a lamber o cano da arma. Mas dessa vez, se demorou um pouco mais.
Erick se afastou um pouco do corpo. Parecia intimidado.
O homem no chão parecia estar rapidamente se recuperando. Ele soltou um suspiro de alívio e se sentou no chão, sorrindo.
-Sempre com uma carta na manga, não é mesmo? Sedric. - Os olhos vermelhos de Erick brilharam.
-Sempre com uma carta na manga, não é mesmo? Sedric. - Os olhos vermelhos de Erick brilharam.
Sedric sorriu. Coçou a cabeça despreocupado e se levantou, dando uma olhada em si mesmo.
-Oh, você me sujou com meu próprio sangue, Erick. - Disse em um tom infantil e olhou para o rosto pálido de Erick. - Que rude você é. - E tornou a sorrir.
Erick pareceu dançar ao se virar de costas para Sedric, que se aproximava.
-O que você é, afinal? - Ele olhou com o rabo dos olhos vermelhos para o homem loiro. - “Uma aberração ou um Deus?”
Sedric riu e pois a mão no ombro do rapaz.
Erick pareceu dançar ao se virar de costas para Sedric, que se aproximava.
-O que você é, afinal? - Ele olhou com o rabo dos olhos vermelhos para o homem loiro. - “Uma aberração ou um Deus?”
Sedric riu e pois a mão no ombro do rapaz.
-Você quer me matar, não é? Tudo bem. Mas me prometa uma coisa. - Ele falava em um tom de conversa comum.
Erick deu um breve riso sarcástico e se virou para encara-lo.
Erick deu um breve riso sarcástico e se virou para encara-lo.
-Me prometa, que não irá machucar a minha filha. Tudo bem? - E ele sorriu.
Erick enfiou o cano da arma na boca do homem loiro e, nem em meio segundo, disparou um último tiro.
Sedric arregalou os olhos por um instante. O sangue escorreu de sua boca. Mas ele mantinha o sorriso.
Enquanto seus olhos perdiam a cor verde esmeralda brilhante e alegre, ele os fechou bem devagar, não perdendo nenhuma expressão de Erick, até partir de uma vez.
Erick segurou o corpo sem vida de Sedric por um momento. E então, o largou no chão. O sangue continuava escorrendo de sua boca. Erick sentia prazer ao ver o sangue daquela pessoa, tão amada por todos, morrendo. E então, ele se abaixou diante do corpo e abriu a mão ainda quente de Sedric.
Uma pedra brilhou uma luz roxo purpuro e iluminou a sala, nas mãos de Erick.
Seus lábios frios se contorceram em um sorriso.
Sedric arregalou os olhos por um instante. O sangue escorreu de sua boca. Mas ele mantinha o sorriso.
Enquanto seus olhos perdiam a cor verde esmeralda brilhante e alegre, ele os fechou bem devagar, não perdendo nenhuma expressão de Erick, até partir de uma vez.
Erick segurou o corpo sem vida de Sedric por um momento. E então, o largou no chão. O sangue continuava escorrendo de sua boca. Erick sentia prazer ao ver o sangue daquela pessoa, tão amada por todos, morrendo. E então, ele se abaixou diante do corpo e abriu a mão ainda quente de Sedric.
Uma pedra brilhou uma luz roxo purpuro e iluminou a sala, nas mãos de Erick.
Seus lábios frios se contorceram em um sorriso.
-Todos vocês – Sua voz era um sussurro sombrio. - vão sentir o verdadeiro “eu” dessas terras.
Ele se curvou até o rosto rosado de Sedric, que lentamente perdia a cor, e o beijou.
Ele se curvou até o rosto rosado de Sedric, que lentamente perdia a cor, e o beijou.
Então sorriu satisfeito.
A porta atrás dele se abriu. Ele olhou para trás com o rabo dos olhos, sem tirar o sorriso frio dos lábios.
-Irmão. - A garotinha entrou e abraçou as costas de Erick. - O que aconteceu? Que cheiro delicioso.
Erick levantou-se. Se virou para olhar nos olhos da criança. Ela era como ele - o coração vazio.
-O início de um poder que eu já teria posse a muito tempo. -Ele se abaixou e acariciou o rosto da pequena garota. - Mas iremos fazer melhor do que poderia ter sido feito.
Ela arregalou os olhos. Seu coração, ainda puro, bateu mais depressa.
-Por favor, irmão! Por favor, não me deixe! - Ela segurava com força as vestes do irmão mais velho.
Ele pegou a pedra púrpura, passou a língua suja no vidro dela e a enfiou na boca.
Envolveu o pequeno rosto de irmã mais nova nas mãos geladas e aproximou a boca da criança da dele. A pedra escorregou de seus lábios para dentro da boca da menina.
A garota se afastou do irmão e levou as mãos para o pescoço. O Poder de Amestista a fazia engasgar e a sufocava.
Enquanto a menina agoniava na sua frente, Erick sorria, apreciando a cena.
Ele se pois de pé novamente e segurou os braços da menina, a paralisando.
-Vamos, engula. Engula. - Sua voz não tinha alternância.
A garota se contorcia, tentando se soltar dos braços do irmão, que a fechava em um abraço asfixiante. Mas, então, ela compreendeu, e parou de tentar evitar a dor que rasgava sua alma.
As batidas sensíveis de um coração ingênuo
-Boa menina. - Seus lábios novamente se alargaram.
Mas nesse momento, a sala brilhou um branco que cegou os dois irmãos. Erick soltou a irmã e, surpreso, olhou em toda sua volta, tentando enxergar algo.
Então, quando a luz cessou, grandes correntes apareceram de todos os cantos e começaram a envolver seu corpo.
-O quê?! - Ele tentava se soltar, sem sucesso.
Enquanto elas o amarravam, um brilho vermelho iluminava a cena: os olhos da garota pareciam dois faróis vermelhos. E então um relâmpago do lado de fora também iluminou o show de horror. As correntes esmagavam o corpo de Erick e ele gritava, espremendo toda sua dor.
“Até que um dos hospedeiros seja extinto, o contratante irá ser prisioneiro da Escuridão. Só pode haver um mestre e um servo. Aquele que ousar espremer Ametista em dois corpos será condenado até que uma das duas partes se rompa e um único corpo tome todo o poder.”
E o corpo de Erick se rasgou e desapareceu.
“Até que um dos hospedeiros seja extinto, o contratante irá ser prisioneiro da Escuridão. Só pode haver um mestre e um servo. Aquele que ousar espremer Ametista em dois corpos será condenado até que uma das duas partes se rompa e um único corpo tome todo o poder.”
E o corpo de Erick se rasgou e desapareceu.
A garota que assistiu a tudo, agora estava ao chão. Tinha caído sobre a poça de sangue em volta do corpo do vampiro loiro sem vida ali a frente. Ela levantou uma mão que pingava o líquido vermelho e a passou diante do nariz.
-Irmão... Que delícia! - E deu uma risada aguda e infantil.
Heart Ties
Primeiro Capítulo Uma vela na escuridão
“Onde estou? Quem sou eu?”
Por um momento, meus pés deslizavam sobre um manto macio de água. Um céu escuro e estrelado envolvia todo o horizonte. Não havia um ponto de partida e nem de chegada. E eu já tinha caminhado por ali já teria feito algumas horas.
Uma triste melodia vinha de dentro do meu bolso. Passei as mãos pela saia do vestido procurando a origem do som melancólico.
Era uma pequena caixinha de música. Tão pequena que parecia que iria quebrar se eu desse corda novamente. Um casal de bailarinos rodopiava dentro dela.
-Mas que chato. - Suspirei. - Será que isso esteve o tempo todo comigo?
Aproximei meu dedo para perto dos pequenos bailarinos cor de pérola. Minhas mãos clarearam um pouco. Olhei para a imensidão daquele infinito e vi que uma estrela brilhava mais que todas a sua volta. Ela parecia descer do céu escuro bem devagar.
Uma sensação excitante tomou meu corpo. Guardei a pequena caixinha de música no meu bolso novamente e disparei por cima do tapete de água segurando a renda do vestido para não tropeçar.
Meus olhos brilhavam ao ver a estrela crescendo conforme eu me aproximava. E quando cheguei perto o suficiente, tudo ficou muito claro. Um branco ofuscante que me deixou cega. Uma ventania me envolveu e me senti sozinha e com frio.
Tentando sair de meio aos galhos um tanto molhados, eu me cortei em algumas partes do corpo com a ponta afiada das lascas de madeira salientes. E novamente, tudo escuro.
Mas aquele não era o lugar que eu me encontrava antes. Definitivamente não.
Tinha algo diferente. Meu corpo estava pesado e eu sentia dor. Aquelas sensações pareciam novas. Era estranho.
Minha visão estava embaçada e mais aquela escuridão toda... Eu não estava enxergando absolutamente nada. Meu corpo batia contra as árvores e eu procurava desviar, procurando passagem.
“Que estranho. Me sinto diferente de algum tempo atrás. Mais desengonçada. Parece que estou um tanto maior. Deve ser impressão.”
Meus pés nus se cortavam nos galhos do chão e eu sentia alguma dor. Mas queria chegar em algum lugar. A sensação de respirar ar puro me motivava.
Eu sentia que gotas chicoteavam em minha pele e molhavam minhas vestes. Devia estar chovendo. Mas eu estava tão concentrada em chegar a algum lugar que nem tinha me dado conta disso.
E então, eu cai. O chão estava gelado. Minha boca não pôde deixar de se abrir em um sorriso. Era bom poder sentir as coisas novamente. Naquele lugar, nem mesmo a água por onde eu caminhava, eu não sentia meus pés deslizando. Não sentia minha respiração e meus pensamentos pareciam ausentes. Até aquele som melancólico me despertar.
Senti frio. Só agora me dei conta de que estava chovendo forte. Me encolhi no asfalto lamacento. E então, senti a solidão.
-Como vai, velha amiga? - E ri sem vontade de minhas próprias palavras.
Me mantive daquele jeito por um tempo.
Então, no meio do barulho confortável da chuva, eu consegui escutar passos. Uma luz iluminou meu rosto e eu me encolhi ainda mais.
Os passos pareciam vir com mais velocidade. Os pés estavam fazendo um barulho forte caminhando pelo chão de pedra empossado.
Senti meu corpo sendo envolvido. Um tecido foi posto em cima de meus braços.
O cheiro daquela pessoa era tão bom... Me senti segura.
-Mestre, quem é a garota? - Escutei uma voz um tanto animada.
Não consegui ouvir uma resposta.
O cheiro bom de antes ainda estava ali.
Senti uma mão um tanto gelada pousar em minha testa e tremi um pouco.
Fui abrindo os olhos. Minha visão novamente embaçada. Não consegui enxergar as pessoas que estavam ali.
Assustada, me sentei depressa. Mas a mão gelada me tranqüilizou dando tapinhas de leve em minha cabeça.
-Calma, calma! - Enxerguei um sorriso embaçado, mas me esforçava para ver direito. - Está segura agora, garota.
-O quê? - Eu cocei o olho direito. - Onde estou?
As coisas ficaram mais nítidas agora. Arregalei os olhos quando vi o homem de longos cabelos prateados e lisos a minha frente. Seus olhos verdes me hipnotizavam. Ao lado, havia uma garota de cabelos negros e sedosos. Nas pontas haviam pequenas mechas azuis. Seus olhos eram duas bolas negras grandes e pareciam sempre brilhar.
-Rá, rá, você conseguiu entrar em uma propriedade histórica abandonada e me pergunta onde está? - Ele sorriu de novo, e dessa vez pude ver seu encantador sorriso. - Está na mansão dos Agnell.
-Ag...nell? - Repeti confusa. - Eu... eu... Quem são vocês? - Não sabia que pergunta fazer primeiro.
E também não sabia para onde olhar. Estava em um enorme salão. O tecto era de espelho, o chão de um porcelanato brilhante que reflectia nossa imagem, as paredes tinham pinturas maravilhosas e os lustres eram refinadíssimos. Mas estava tudo tão gasto e coberto de poeira.
-Ah, meu nome é Shiro! Me desculpa pela falta de educação. - Ele sorriu.
-E eu sou Nídia. É um prazer. - A garota atrás sorriu.
Notei que ela tinha dois dentes mais pontudos que os outros.
-E quem é a senhorita? - Ele me perguntou.
Antes, olhei para meu vestido gasto e sujo e me toquei que estava sentada no chão ainda coberta por um casacão – provavelmente de Shiro. Depois, inspecionei minhas mãos pálidas que ainda tremiam um pouco.
-Eu... - Minha voz saiu em um sussurro. - Eu não me lembro.
Shiro passou a mão em minha testa novamente e olhou um tanto preocupado para Nídia.
Shiro passou a mão em minha testa novamente e olhou um tanto preocupado para Nídia.
-Parece que ela teve uma longa noite. - E voltou a olhar para mim. - Talvez esteja exausta. Vou leva-la connosco, tudo bem? A cidade está perto e podemos esclarecer as coisas melhor no quartel.
-Eu vou avisar aos outros, então. - Nídia se levantou, mas antes que ela se afastasse, Shiro a segurou pela capa azul que vestia.
-Ainda não, Nid. Se acharmos os pais dela no caminho não precisamos relatar nada. E além disso, eu só vim aqui para inspecionar, se lembra? - Ele sorriu. - Vamos ficar longe de confusões.
Nid sorriu.
-OK. - E ela se virou novamente para mim. - Ela parece estar com fome. Está pálida feito você, Mestre Shiro.
-Rá, rá, não está mesmo, hum?
Ele se levantou, estendendo uma mão gentil para mim.
Ele se levantou, estendendo uma mão gentil para mim.
-Vamos lá, pequena. Iremos encontrar seus pais.
Meu coração deu uma batida mais forte.
Eu pus a mão no peito por um instante. Minha mente me mostrou um rosto que sumiu de repente e eu não pude identificar. Mas meu coração se espremeu. Como se doesse por algo que eu tivesse perdido. Algo que eu amava muito.
-Pe-que-na? - Escutei Shiro falando alegremente de novo. - Vamos?!
Seu sorriso me encorajava. Eu tentei sorrir, mas acho que pareceu mais que eu queria vomitar. E estendi a mão para ele, que me puxou para cima.
Seu sorriso me encorajava. Eu tentei sorrir, mas acho que pareceu mais que eu queria vomitar. E estendi a mão para ele, que me puxou para cima.
-Consegue andar sozinha? - Ele ainda não tinha me largado, e me perguntou com alguma preocupação no olhar.
-Sim, senhor. Obrigado. - E soltei a mão fria de Shiro.
Enquanto andávamos para uma enorme entrada sem porta que dava para um jardim, Nídia pulava ao meu lado. Por um instante achei que ela estava me cheirando.
-Hey, hey, você gosta de que tipo de torta? - Ela me perguntou, alegre.
-Torta...? - Não me lembrava o que era. - Hum, eu acho que nunca ouvi falar. - Sorri amarelo.
-Não sabe o que é torta? - Ela arregalou os olhos e quase me fez cair quando seus olhos negros ficaram a centímetros dos meus.
-N-não. - Sorri amarelo de novo, e cocei a cabeça um tanto envergonhada.
-Escutou, Shiro!? Ela nunca comeu torta! - Ela sacudiu o homem alto e ele sorriu.
-Então temos que mudar isso, né? Nídia. Eu sei que você deixou algumas na carruagem.
Nídia quase gritou de alegria e começou a me puxar.
Quando passamos pelo jardim, o cenário, pelo menos para mim, se demorou em minha cabeça. Parecia tão familiar. O cheiro, as cores, a presença do prédio ornamentado e o grande chafariz que não estava mais funcionando. E então me ocorreram algumas imagem na cabeça como um flashback.
Quando passamos pelos portões do jardim, despertei de meu devaneio e notei que Nídia tinha me lançado com muita força para dentro da pequena porta da carruagem. Eu gritei em quanto voava e tentei brecar, mas não deu certo. Cai no chão veludoso e vermelho de dentro da formosa casinha sobre rodas.
Nídia vinha a toda velocidade atrás e me apressei para me sentar no banco para que ela não me pisoteasse.
Mas ela entrou com perfeição e longo estava ao meu lado, sorrindo.
Shiro entrou logo depois e fechou a porta.
-Ainda bem que fomos nós que a encontramos. - Ela fechou o rosto em uma expressão engraçada. - Os outros agentes e militares iriam ter te prendido em uma jaula, se não te matado. - E ela gargalhou.
Eu fiquei com uma expressão sem graça, fingindo rir.
-É-é?
Shiro riu da minha cara e eu fiquei corada, olhando para meus pés. Agora eu calçava duas botas brancas um tanto sujas.
Shiro riu da minha cara e eu fiquei corada, olhando para meus pés. Agora eu calçava duas botas brancas um tanto sujas.
-Me desculpa. Eu não tinha outra. - Nídia me disse em um tom tristonho.
-Ah, obrigado. Essas estão ótimas! - Eu fiz um polegar positivo.
Enquanto Nídia me distraia me mostrando alguns doces que ela tirou de uma cesta ali no canto que eu ainda não tinha notado, Shiro olhava a enorme mansão sumindo atrás das colinas e da formosa vegetação que devia ter crescido com o tempo. Eu fiz o mesmo, olhando pela janelinha atrás de mim e de Nídia.
-Ei, ei! Você sabia que eu sou uma agente militar de elite? - De repente ela me disse, me apontando uma pistola, sorrindo.
Eu me assustei e sorri, me pressionando contra a janela da carruagem.
-S-s-sério?
-Nídia! Uma informação de cada vez! Vai deixa-la confusa. - Shiro disse, ainda no tom de voz alegre. Mas logo mudou quando ele olhou para mim, com a expressão mais séria e preocupada. - E então. Se lembrou de algo, pequena?
Eu demorei um pouco para entender o que ele tinha me perguntado. E então, abaixei a cabeça.
-Ainda não. - Suspirei.
-Ah, não desanime! Você irá lembrar, hum? Encontraremos seu pai lá na cidade em breve e aí você se lembrara de tudo! - Nídia me deu um tapinha no ombro.
De novo, a pontada no coração. Abaixei a cabeça, reprimindo algo como um choro. Mas logo levantei a cabeça, tentando disfarçar, e sorri. E então, olhei para a janela lá fora, onde já se passavam a imagem de prédios e casas e pessoas andando e vendendo coisas. Aquela cena toda era alegre e me deixava feliz e animada.
Por algum tempo, a cabine tremeu por conta da rua de pedras, mas então parou quando chegamos. Quase cai no chão veludoso se não tivesse me segurado.
-Mestre Shiro, posso fazer o relatório e já leva-lo à estação? - Nídia disse em uma voz uniforme.
-Ah, sem pressa. Ficarei aqui com a pequena! - Ele respondeu alegre.
Nídia se retirou e levou a cesta de guloseimas com ela - parecia que Shiro tinha a intenção de ficar com alguns doces de dentro dela.
Quando a porta da carruagem se fechou e fiquei a só com o lindo homem de longos cabelos prateados, tentei fingir olhar para o movimento fora da cabine.
-Vi que ficou estranha aquela hora. - Novamente, sua voz perfeita num tom preocupado.
-Hum? - E então sorri amarelo, coçando a cabeça. - Ah, não. Nada de mais. Eu só estou cansada. - E forcei um riso.
Ele abriu um sorriso simples de lábios fechados e também começou a fitar janela a fora.
-Tem idéia de como seu pai ou sua mãe são?
Novamente, aquela dor. Meu coração deu uma pinicada e eu me encolhi.
Foi evidente agora que era algo a ver com meus pais que me machucava. Mas eu não me lembrava, mão me lembrava de nada!
-Então, parece ser isso. - Ele ficou sério de repente.
-Então, parece ser isso. - Ele ficou sério de repente.
Meus olhos tremeram um pouco, tentando evitar as lágrimas. E então voltei ao normal. Mas ainda me sentindo desconfortável.
-Dói. - Eu disse baixinho.
E Shiro também ficou calado.
Então uma melodia baixinha quebrou o silêncio. Vinha de meu bolso. Devagar, enfiei a mão dentro dos panos da saia do vestido azul - que agora estava quase preto, encardido. E de lá, tirei um tipo de pingente. Ele estava aberto e tinha cravado em seu interior uma nota sol e algumas palavras: “Para minha Ame e Elizabeth, com amor.” Eu li.
-Ame... - Eu repeti em voz alta.
Shiro franziu a testa. Os olhos verdes pensativos se concentraram no objecto.
-Posso ver?
-Eu jurava que era uma caixinha de música minúscula. - Eu sorri e estendi o medalhão para ele.
Ainda tocava a mesma melodia melancólica de antes.
Ele também leu o que estava cravado e por alguns momentos ficou paralisado.
Eu esperei, quieta. Quieta e um tanto envergonhada. Sentia minhas bochechas ficaram quentes e coradas. Shiro era tão lindo! E por um momento achei que tinha falado em voz alta e comecei a brincar debilmente com meus dedos.
Então ele olhou para mim com os olhos bem abertos.
-Ame? - Me chamou pelo nome.
Eu olhei para seus olhos verdes brilhantes. Eu não entendi no início. Mas, então...
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