segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Karine Haruno - Hey, you, again!

-Ei, Yooji, o que está fazendo? - Perguntei, cansada de ficar tanto tempo sentada.
Keiji tinha adormecido com a cabeça sobre o meu colo. Fiquei meio incomodada com isso, mas acabei o deixando quieto.
Ele se virou, ainda com os olhos no grande livro empuerado e negro que lia já fazia alguma meia hora.
-Estou procurando alguma passagem para fora da fortaleza.
-Ué, mas se o Keiji disse que vocês tem que sair daqui para lutar contra os monstros de lá de fora, vocês devem saber, né?
Ele fechou o livro, sorrindo.
-Sim. - Virou-se para o armário para guarda-lo. - Mas só podemos sair com licença. Além disso, sempre vai um soldado do superior para se certificar que iremos voltar.
-Então, não podemos sair daqui dizendo que vamos visitar esse tal de Príncipe?
-Seria suicídio. - Ele tornou a sorrir, olhando para mim. - O Príncipe é... um símbolo para todos nós. Ele está preso do outro lado do país.
-E por que ele está preso? - Baixei a cabeça. - Ele fez algo errado?
-Esse Eden que o Keiji mencionou é primo do Príncipe. Depois que tudo aquilo aconteceu e você foi para aquele outro mundo, o Príncipe perdeu toda a memoria junto com você: um pedaço da alma. Ele acabou ficando enlouquecido por causa do feitiço. - Ele se sentou na poltrona, em frente a mesa de centro. - E então, o Eden, nessa época, alguns cinco anos mais velho, já tinha a idade certa para tomar o comando de rei. - Ele pois a mão no rosto, escondendo sua expressão irritada. - Se aproveitou da ausência do Príncipe, o chamando de louco e o trancafiou naquela maldita prisão.
-Mas ninguém disse nada? Quero dizer, poderiam ter protestado. Se o Príncipe estava doente, o povo devia saber.
Yooji sorriu, apoiando o rosto sobre a mão.
-Por que acha que estamos agora nesse cubículo? - Ele franziu a testa. - O Eden nos castigou liberando os monstros do exílio. E agora, vivemos como pássaros na gaiola.
Eu baixei os olhos, os deixando fora de foco, imaginando a situação.
-Nossa - Eu estremeci. - Essa pessoa... é realmente...
-Doentia, né? - Keiji sorria.
Me assustei um pouco quando percebi que ele havia acordado.
-Keiji - Yooji suspirou. - Não encontrei nada. Acho que o melhor agora é perguntar ao Yasu. Não vamos tomar decisões precipitadas sem ele.
-Claro, claro. - Keiji revirou os olhos, e voltou a sorrir. - Yasu-nii-san já deve estar bem disposto. Podemos voltar agora. - E ele se levantou em um salto.
-N-n-não vou pular nas suas costas novamente. - Protestei, me encolhendo.
-Não tem problema, Karin-chan. - Yooji estendeu a mão, já de pé. - Agora iremos de forma normal para a Ordem.
-Tisc. - Keiji revirou os olhos novamente.

A carruagem conseguia ser ainda pior do que à salto. Minha barriga doía.
-Quer segurar as rédeas? - Yooji sorriu com minha situação de desconforto.
Seus olhos me hipnotizaram de novo e baixei a cabeça, corada.
-Pode se sentar com o Keiji no estofado. Só é uma pena que não tenha uma cabine. Seria menos mal. - Ele sorriu amarelo.
-N-não se preocupe, Yooji. - Me segurei no braço dele quando passamos sobre uma depressão. - Estou bem!
Keiji suspirava tedioso ali atrás. "Espero que você morra de tédio, realmente, homem-macaco. Ho, ho ho!" Eu dei uma olhada sobre o ombro para ele que estava sentado no banco, abraçado aos joelhos.

-Chegamos! - Yooji anunciou.
Paramos bruscamente e eu quase fui arremeçada se Yooji não tivesse me segurado.
Keiji já estava do lado de fora, entrando no prédio de antes.
-Aff... foi um saco. - Ele se espreguiçava. - Este é o problema de estar com o Clock-sama! Ele só usa coisas de gente velha.
-C-c-como? - Yooji sorriu, sarcátisco.
Logo já estávamos do lado de dentro. Corri para o sofá. Estava totalmente zonza. Antes disso, notei que a sala estava cheia de gente. Então voltei quase em um salto para o lado de Yooji.
As pessoas conversavam em um tom muito alto.
-Hm, o que está acontecendo por aqui? - Escutei Yooji.
Vi Keiji descendo as escadas com alguma outra pessoa do lado. Sem querer, meu olhar se encontrou com o da pessoa desconhecida. Ele era idêntico ao Keiji. Talvez apenas o modo de se vestir era diferente. Ele sorriu para mim enquanto eu o olhava de olhos arregalados.
-Quem é aquela pessoa, Yooji?
-Hm. Ali descendo com Keiji? - Ele sorriu para os dois que se aproximavam. - É o Yasu.
No meio daquela gente, eu vi sua altura. Como Keiji, ele era absurdamente alto. Mas ainda menos do que Yooji.
-Olá, Yasu. - Ele o cumprimentou.
Ele acenou para o homem, mas seus olhos estavam ainda interessados em mim. Eu abaixei a cabeça, olhando apenas para os pés de Yasu. As botas velhas que eu tinha visto antes... Então era ele aquela hora!
Ele se ajoelhou diante de mim, tombando a cabeça para encontrar meus olhos novamente.
-Pequena...
Eu o olhei, assustada.
-O-oi... - Gaguejei. - Me desculpa... por esquecer.
Ele sorriu novamente. Pelo silêncio de Keiji e Yooji, aquilo não era típico de Yasu.
Então meu rosto se encaixou sobre seu ombro. Seu cheiro doce parecia aqueles de fumaça de matinê. Aqueles que davam vontade de dançar de alegria e exitação. Ele me proporcionava uma sensação engraçada, que me fazia cócegas na barriga. Seus braços compridos me prendiam perfeitamente em seu corpo fino e alto.
-Me desculpa, por permiti-la esquecer.
Eu arregalei os olhos. E então, depois de um tempo, eu o abracei, como se, pelo menos um pouquinho da minha memória, estivesse voltado e aquilo fizesse um pouco mais de sentido.

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