"Demitriu Bartorlomeu Dardark . Você está condenado a morte, e sua prisão vai ser em trevas. Sua existência é inadmissível e seu comportamento indecente para conosco é desprezível. Por ordem dos cinco ministros do ministério de Gaiak, você está sendo repreendido para todo o sempre."
Todos que estavam no tribunal tremiam diante da figura ajoelhada na frente do juíz que o sentenciava.
-Algo a dizer, senhor Bartorlomeu? - Perguntou o homem velho que forçou os olhos a se espremerem ao olhar para o rapaz acorrentado.
O prisioneiro alargou os lábios em um sorriso não normal, que quase ia de orelha a orelha. Ele levantou a cabeça para olhar para o homem velho e lambeu os lábios.
-Você e sua casa de bonecos de terninho acham que vão conseguir me aprisionar em minha própria casa?
-Calado!! Se acha que realmente pode voltar... As ordens são sensatas. A Herdeira também está de acordo com sua punição. Diante disso, você será morto logo a seguir. Declaro esse tribunal, encerrado.
Dardark soltou alguns risinhos abafados de cabeça baixa. Seus longos cabelos negros cobriam seu rosto.
-Essa garota... o nome dela é Lídia, né? Essa garota não é a verdadeira herdeira. Ela não é a princesa. Então, diante disso, eu não estou tão condenado assim, não é? - Ele levantou os olhos suficientemente para fitar o rosto do juíz que suava aos prantos.
Um breve silêncio tomou conta de toda a sala. Todos estavam intrigados com a ousadia do rapaz que, por mais que estivesse a beira da morte, ainda rebatia as palavras do ministério com um sorriso rebelde nos lábios.
-Ótimo. - Dardark levantou a cabeça, como se tivesse acabado de tira-la de debaixo de uma refrescaste torneira de água gelada. - Se apressem, e acabem logo comigo.
-Desgraçado - O juíz disse baixinho, tanto, que apenas o prisioneiro demônio o escutou. - Tirem-no daqui!
Dardark deu seu último sorriso diante dos cinco ministros e do juíz, e se deixou ser levado.
-Essa garota... não é a verdadeira herdeira. - Disse em um sussurro.
Aiko...
O sol iluminou meu rosto e eu me incomodei, me virando de lado. Alguns fios de cabelo começaram a entrar na minha boca. E tinham um cheiro tão bom...
Abri os olhos.
-Kyaaa! Keiko! S-s-saia de perto de mim! - Eu tentei soca-lo no rosto.
-Que maldosa... Eu fiz seu café da manhã, Aiko. É assim que me agradece? - Ele mostrou a língua.
Me levantei, batendo a cabeça no teto realmente baixo de madeira da carroça. Olhei assustada para todos os lados.
-K-K-Keiko! Onde estamos?! E-e-eu não lembro de... Keiko! Keiko-sama?! - O segurei com força pelo pescoço quase o estrangulado. - Onde estou, Keiko?!
Ele sorriu a apertou meu braço com força. Eu gemi de dor, e lancei um mal olhar para ele.
Ele se sentou contra a parede de madeira e tirou do bolso um saco que cheirava muito bem.
Meus olhos brilharam e eu o agarrei.
-Boa garota. - Ele sorriu. - Estamos indo para a capital. Irá tem um grande festival lá e poderemos roubar muita coisa.
Enquanto eu mastigava, eu o olhei com preocupação. Engoli o pão de queijo recheado que desceu lentamente pela minha garganta.
-Ei. - Abaixei a cabeça. - Ei, Keiko, sempre teremos essa vida miserável de ladrões? Sabe, eu gostaria de entrar para a guarda do palácio dos Herdeiros. Ser uma feiticeira ou algo do tipo. Não quero viv...
Não pude terminar a frase porque Keiko teria enfiado outro pão de queijo na minha boca.
-Aff. Lá vem você de novo. Se tivesse jeito... Mas somos procurados pela guarda de sete cidades diferentes. Somos famosos como ladrões. Se eu a deixasse aparecer na porta de uma escola de magia, numa guilda de feiticeiros, ou no clã da guarda de Gaiak, o que acha que eles iriam fazer? Iriam te receber sorrindo? - Ele passou a mão cheia de cicatrizes de luta no pescoço suado.
Depois de engulir novamente, eu me encolhi no meio da palha.
-Sinto muita, muita raiva. Eu não queria nem ter começado esse tipo de vida. Mas quando vi, já estava condenada. - Eu me encolhi ainda mais. - Sabe. Podíamos ter ficado com o Lalico em Ganaia. Pelo menos ele iria nos erguer novamente como pessoas normais.
Ele levantou os olhos amarelos em fendas para mim.
-Você está ficando idiota? Ele iria te transformar em uma bonequinha de prateleira e eu seria um empregado de café de esquina.
Eu o olhei irritada, agora realmente alterada.
-É melhor do que ser uma ladra! Keiko, você pode querer passar a sua vida toda vivendo as custas de roubos, mas eu quero ser alguém! Nem que seja só uma empregada, uma escreva... Mas me cansei de roubar! Me cansei! Eu... eu quero ter uma vida! Eu quero ser importante para alguém! Eu quero estudar, me formar e ser importante para nossa sociedade também!
Ele colocou a mão na frente da minha boca, de cabeça baixa.
-Você acha que não é importante para ninguém? - Ele disse com a voz fanhosa. - V-você é realmente muito importante para mim. Quantas vezes eu me declarei para você e você me repreendeu? Mesmo assim, eu me recuso a desistir. Eu te amo muito, Aiko-chan. E... e se houver algum jeito de faze-la feliz, eu irei te apoiar por mais que não concorde. Apenas... - Ele voltou a me fitar. - Apenas não te deixo com o Lolito, porque não posso ficar ali com você. Não posso te proteger. Aquele lugar... aquele lugar foi onde...
Eu tirei a mão dele da minha boca. Suspirei e passei a mão nos meus cabelos longos e negros. Um tanto sujos.
Keiko, por ter me ajudado dês do começo.
Fiz um polegar positivo e sorriu. Ele demorou para desfazer a cara feia, mas sorriu e segurou minha mão em um gesto, que para nós, significava companheirismo e fidelidade eterna.
-Sigamos em frente! - Ele disse animado.
A carruagem parou. Escutamos um grito ao lado e barulhos fortes vindo de todos os lados.
-Mas o quê...? - Chutei a porta da para que saíssemos.
O carroceiro estava ferido, se contorcendo no chão.
A cidade ali em frente estava em chamas. Meus olhos se arregalaram e meu corpo tremeu.
-K-Keiko-sama...
-O que? - Ele pulou da carroça e se pois ao meu lado sobre o chão de lama.
Ambos assistimos a uma torre de algum edifício desmoronando. A cidade estava destruída.
-K-Keiko, o que está acontecendo?
Ele tirou o capuz de cima de sua cabeça expondo a cabeleira prateada e sedosa. Os olhos amarelos arregalados em uma expressão como a minha.
-Acho que são... os Guardas Celestiais. M-mas porque iriam atacar Marrona bem agora?
-Olhe!
Uma luz negra surgiu do centro da cidade e brilhou fortemente, engolindo tudo ao seu redor e fazendo o chão tremer.
-O que é isso?
-Isso é...
-O que, Keiko?!
-O Portal que leva as Trevas.
Eu o olhei mais assustada ainda. Meus olhos verdes deviam estar se dilatando de medo. Eu o puxei pelo colarinho do sobretudo.
-Faça algo! Use sua magia! Não podemos deixar mais gente inocente morrer!
Keiko estava em choque, mas abaixou a cabeça e ficou calado.
-Keiko-sama! - Eu estava quase chorando de raiva. - Por favor! Se eu fizer, posso piorar as coisas! Mas você pode! Por favor, Keiko!
-Não.
Eu o encarei com os olhos cerrados e chorosos. Bati em seu braço e sai correndo em direção a cidade em chamas, um inferno na terra.
"Não posso deixar que mais pessoas morram. Não por causa... do erro de outros. Não de novo."
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