sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

   Doente

      Aquele dia não começou diferente de todos os outros. Eu virei a cabeça e olhei para a janela que inundava o quarto com a luz do sol. Tentei sentir o ar rodando dentro de meus pulmões por alguns segundos. Depois voltei a encarar o teto. Eu queria ter podido aproveitar. Se eu não tivesse sido tão estúpida, quem sabe meus suspiros não estariam sendo contados. Eu não podia sair da cama, por mais que eu quisesse. Meu corpo apenas rejeitava se mover. Como uma boneca, eu precisava de alguém me manipulando ao lado, para que eu tivesse um pouco mais de liberdade. Mas era difícil. Eu não queria precisar de alguém. Meu sangue parecia esfriar toda vez que eu cuspia o ar para fora do meu nariz. Como todos os dias, meu rosto acordava um tanto úmido. Meus olhos procuravam em uma linha do tempo imaginária aonde eu teria errado. Em que momento eu comecei a "falhar"? Mas minha tortura não era ter que permanecer na cama. As pessoas vinham, falavam palavras, e depois íam embora. Antes tivessem me avisado, mas eu não escutei. Até aquela pessoa em especial tentou mudar meu rumo. Mas a estupidez estava cravada a mim. Eu estava tão decidida. Eu sabia que iria acontecer.  Só não sabia que iria ser tão rápido. Me lembro que me sentia exausta. Minhas mão tremiam, mas eu as escondia. Meu rosto em sépia estava se desmanchando, mesmo assim eu escondia com um sorriso. Eu me sentia fraca. E até mesmo chorar ardia, e queimava, agora. A pessoa que estava fazendo meu café, devia estar chorando também nesse momento. Eu me sentia mal por isso. Se eu não tivesse sido tão estúpida... A pressão que o teto faz contra meu corpo agora mais que frágil, acaba com meus pensamentos bons. E os afasta para além da janela, por onde o sol entra. E naquele quarto, não importa para onde eu olhe, ou se eu feche os olhos, tudo me relembra o porquê daquele cativeiro particular. Ele entrou sorrindo. Talvez estivesse mascarado. Se senta ao meu lado. Ele me conta coisas que me fazem esquecer de mim. Me faz sorrir como antes. Mas quando eu o olho pelo canto do olhos, vejo refletida sua dor. Me desculpa por fazê-lo sofrer. Você tentou me avisar. Me fez prometer... E mesmo assim, eu te contrariei, e fingi que era invencível. Eu acreditei que era invencível. Eu acreditei na hipótese, de que jamais pudesse acontecer. E toda vez que eu me sentava diante daquele redondo, meu cérebro recusava ingerir a massa. Por mais que meus braços fracos, e minhas mãos trêmulas apelassem, eu arrastava a porcelana para longe, e fazia o cheiro se tornar tóxico. Todos sabem o meu destino agora. Eu sei. Não precisa me prometer. Não precisa me consolar. A culpa é só minha. E é apenas ela que vou engulir agora. Até o momento em que tudo realmente falhar, e então, já não precisarei causar-te tanta dor.
Mesmo assim, obrigado.

I. S. Greco


Por causa da Katrina, de Distance Departure, eu acabei escrevendo isso. Trika, vê se melhora.
E logo Distance Departure  vai estar aqui par vocês conferirem.
Não era para o título sair desse tamanho, mas já que ficou, deixa quieto. D:

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