quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Broken Heart - Chapter 1 - Reunion

"Meus pés estão doendo. Mesmo assim, eu não posso parar. Se eu parar... posso acabar machucando. Machucando a mim mesma. Aquela pessoa não pode me alcançar. Se ela me alcançar, eu já sei o que vai acontecer. Eu não tenho a mínima chance de me proteger. Já que é o meu coração... que está me maltratando."

Era minha primeira vez em uma grande festa como aquela. Aquilo era um aniversário, para falar a verdade. Apesar que, para ser franca, eu não conhecia o aniversariante.
Estava tudo tão enfeitado. Haviam flores em todos os cantos do enorme salão de festas. Haviam também uma banda de violinistas que animava o lugar. Todos estavam de traje à rigor e vestidos exageradamente rendados.
Me senti meio mal por também estar vestida como aquelas pessoas. Parecia tão ridículo...
-Emily!!? Mas o que é isso??! Use um prato e talheres para comer! - A senhorita Mô reclamava ali ao lado.
Eu apenas a ignorei. Continuei a devorar o pedaço de carne sujando as mãos.
Eu não precisava me comportar se eu não queria estar ali. Queria ter ficado em casa, trancada no meu quarto, o dia todo, escrevendo.
-Emily!! - Ela me incomodou de novo.
-Ok, ok... - E pus o osso sobre a mesma.
-Emily!!!
-Ei, senhorita Mô, quem é o aniversariante, afinal? - Eu passei os olhos sobre todos os rosto.
Ela se pois na minha frente, atrapalhando minha vista do salão. Esfregava um pano em minhas mãos, tirando a gordura da carne.
-Você não tem jeito... - Ela tirava algo de dentro da bolsa que combinava exactamente com o estravagante vestido roxo. - É o filho de um grande colega de trabalho do seu pai.
-Quem? - Revirei os olhos.
Ela se virou, olhando para uma única pessoa que estava sentada de braços cruzados em um enorme sofá vermelho do outro lado do salão.
-Ryu Keimura Saito.
Eu o olhei com um pouco de admiração. Ele era realmente muito bonito. Alto, os cabelos longos e ruivos amarrados em uma enorme trança, os olhos de um curioso verde meio amarelado as vezes.
-Ah, é aquele cara? - Eu apontei, dando de ombros para a senhorita Mô.
-Não aponte assim para as pessoas, Emily!! Que rude!- Ela abaixou minha mão.
Suspirei.
Aquilo era realmente muito chato. Eu queria definitivamente sair daquele lugar.
Depois disso, comecei a andar pelo salão sem rumo. As vezes alguém acenava para mim e eu assentia com a cabeça sem sorrir. Quem eram aquelas pessoas? Hunf.
Estava começando a ficar deprimente.
-Hm. Uma varanda.
Eu tinha saído do salão por pura desobediência. Não me importava de ser reprimida depois. Afinal, quem iria dar atenção a mim? Meus pais viviam trabalhando sem parar. Todos os dias eu acordava com uma empregada batendo na minha porta. Todos os dias, eu tinha professores particulares. Todos os dias... eu ficava sozinha.
Aquele era um lugar sossegado. Não havia ninguém ali. A enorme porta de vidro da varanda era coberta por uma cortina de seda que voava com a brisa fresca que entrava pelo pequeno vão.
A lua iluminava aquela parte do corredor, deixando o ambiente todo prateado, como um pedaço do céu.
Passei as mãos no meu cabelo nem tão comprido assim, de um castanho claro. Abri a enorme porta de vidro fazendo algum barulho.
As vezes, eu me sentia totalmente não precisa. Já que as amigas que eu tinha eram filhas de amigos dos meus pais. Todas eram a mesma coisa: mimadas, frescas e esnobes. Daquele tipo de gente eu queria manter uma distância. Mas na hora, elas vem com aquele papinho convincente e acabo simpatizando com elas sem querer.
Mas depois, não tem mais ninguém.
A noite parecia um enorme manto negro. Não haviam estrelas. Apenas a lua brilhava radiante no céu escuro.
Me sentei no peitoril da sacada. Talvez o vestido tenha rasgado nessa hora, mas eu nem liguei.
A paisagem parecia uma figura de livro de contos de fada. As árvores balançavam conforme a música da brisa comandava. E era divertido acompanhar com os olhos.
Um sorrisinho abafado ali ao meu lado.
-Então, você conseguiu escapar da festa? Gostou deste lugar?
-Sim... - Respondi antes de notar que havia mais alguém ali.
Virei a cabeça dando de cara com dois olhos verdes brilhantes.
-Kya!!! Quem é v-v-você??! - Sem querer, arremessei minha mão no rosto do rapaz com o susto.
-Ai... - Ele sorriu, passando a mão onde teria ficado vermelho. - Isso dói, princesa.
-Não me chame assim! Seu falso! - Eu me virei de volta para dentro da varanda, tentando fugir da cena. - Odeio isso. Mandaram um bonecão vir atrás de mim... Que saco. Ok! Vou voltar!
Uma mão agarrou meu braço, me puxando de volta.
-Calma. - Ele sorriu. - Não vim fazer nada disso. Onde estão seus pais, princesa? - A voz gentil e calma dele me irritou.
-Calado! Me solta! - Eu puxei meu braço. - Eles não me querem por perto. Então irei ficar longe deles, pelo menos, para agrada-los. Além disso, eles devem estar ocupados de mais para quererem saber de mim! Agora, me deixa!
-Que malvada. - Ele segurou minhas duas mãos juntas, chegando o rosto para perto do meu. - Vamos lá, seja minha está noite... princesa.
Eu o encarei, entrando no falso clima que estava se formando. Deixei minhas mãos relaxarem, deixando ele me conduzir.
-Boa garota. - Seus lábios quase estavam tocando os meus.
Eu abri um sorriso malicioso, levantando meu joelho com força, o acertando no meio das pernas.
Eu só ouvi a respiração daquela pessoa parar por um momento. E depois, ele caiu ao meus pés, me soltando.
-Quem você acha que é? Seu idiota tarado. - Cruzei os braços, o empurrando contra o chão com o pé. - Eu não sou o tipo de garota que você imagina! Por favor, vá brincar com seu arem de bonecas. Mas não envolva garotas que não tem nada a ver com esse seu comportamento ridículo! Escutou?! - Eu pressionei meu pé em seu estômago. - Você deve ser só mais um mauricinho que acha que é príncipe só porque tem muito dinheiro, hãm? Pessoas assim não deviam existir. A sua sorte é que eu sei que um cara como você deve ter um auto seguro de vida. Se eu te matar aqui, vão receber muita grana pela sua morte. E as pessoas enlouquecem por causa de dinheiro. Não vou prejudicar ninguém. - Eu disse sarcástica. - Escute. Nem todos são assim. Se valorize e faça um favor a nós dois.
Ele ainda tentava manter a dor presa em sua boca. Era meio divertido ver aquilo.
Me virei de costas, me voltando para o corredor.
Um estrondo.
Um barulho muito forte.
Escutei as pessoas que estavam no salão gritarem.
Eu me apressei ao entrar e voltar para o grande salão, deixando aquela pessoa ridícula para trás. Mas na minha direcção, havia a silhueta de alguém, impedindo a passagem a alguns metros da onde eu parei.
Meu coração acelerou.
Uma luz forte invadiu todos os cantos daquele lugar. Outro barulho. Mas estava perto de mais e eu tive que tapar os ouvidos. Doeu.
-Emi? - A silhueta disse, confusa. - Venha comigo, Emi! - Ele correu em minha direcção, me puxando ao longo do corredor.
-Me solta, seu idiota! O que está acontecendo?! - Eu tentava me soltar, brecando meus pés. Mas ele era mais forte e eu acabava o acompanhando.
-Não há tempo, Emi! Eu te explico depois.
-Quem é você?! - Eu me joguei no chão, o forçando parar.
Uma luz, desta vez do lado de fora de alguma janela ali ao lado, iluminou o rosto desse garoto. Ele devia ter a minha idade e também tinha quase minha altura.
Seu traje estava coberto por algo vermelho. Eu me assustei, arregalando os olhos.
-S-sangue?! - Eu o encarei novamente.
Ele sorria maliciosamente.
-Emily! - Ouvi atrás de mim.
Era a voz daquele tarado. Mas eu estava ocupada de mais concentrada nos olhos negros e vibrantes daquele garoto. Sua boca parecia ser um pouco mais larga que o normal. Mas eu sabia, que aquilo era uma cicatriz.
E, o pior de tudo, é que eu conhecia aquela pessoa.
Ele levantou uma mão pálida para o alto. Uma faca fez a luz da lua reflectir no meu rosto, e eu fiquei meio cega por alguns instantes.
Depois disso, eu achei que estava morta. Mas alguma coisa me agarrou e escutei outro tiro de pistola. Apenas vi a bala atravessar o vidro e bater na parede.
Eu, aquele cara e o garoto nos abaixamos. Novos tiros perfuraram o vidro e ele se quebrou. Alguns cacos poderiam ter me perfurado se não fosse aquele cara me protegendo.
"Não me proteja, seu idiota! Eu não quero! Eu não preciso! Ninguém precisa... dar uma continuidade a minha vida, se ela... não vale."
O cheiro doce do rapaz me sufocou. Mas era muito doce. Me senti um pouco mais tranquila. Mesmo no meio do inferno, aquele cheiro poderia me deixar nas nuvens.
-Solte-a! - Eu vi aquele garoto avançar para perto de nós, mesmo  correndo o risco de sermos atingidos por alguma bala.
-Fique longe dela, assassino. - A voz calma novamente.
-Eu já disse para solta-la!!!!!! - E antes que ele pudesse nos alcançar, houve um forte disparo ali, na minha frente.
Foi um tiro certeiro e fatal. Não havia como escapar de algo como aquilo.
A fumaça me asfixiou. Meus olhos tremeram uma vez, eu tentei me segurar no ar como uma idiota, mas então, tudo escureceu.
Quem sabe, com muita sorte, eu teria morrido ali.
Mas...

"Eu tinha cinco anos.
-Emi. - Ele passou a mão no meu rosto, me puxando para perto. - Emi, você sabe que eu te amo, né?
Eu assenti, sem olhar nos olhos dele.
-Emi, você também me ama, né?
Não.
-Sim. - Sussurrei.
Eu era uma criança.
-Então, Emi. - Ele ergueu minha mão na altura de nossos rostos. - Não se mexa.
Eu estava um tanto emburrada. Eu não conseguia fugir, nem dizer não. Meu coração judiava do meu ser e eu aceitava aquilo. Talvez porque... aquele menino, tinha roubado e prendido meu coração. Mesmo assim, eu queria que ele o guardasse. Mesmo que eu quisesse me convencer do contrário.
Era um anel.
-A partir do momento em que eu lhe dar esse presente - Ele acariciou meu rosto. - Você será minha eterna noiva. E agente vai se casar quando formos mais velhos. Ok?
Eu levantei o olhar, um pouco assustada.
-Não se preocupe - Ele sorriu, corando. - Eu sempre vou estar do seu lado. Mesmo estando distante. Mesmo não podendo toca-la. - Ele me prendeu em seus braços, encostando sua testa na minha. - Essa aliança que te dou agora é uma promessa. - Ele me beijou ao lado da boca. - De que eu vou te ver de novo mais tarde.
-Não vai embora. - Sussurrei desesperada.
-Eu ainda não posso te beijar. Porque eu iria arrancar sua inocência, Emi. Por isso, reserve esse primeiro beijo para quando formos grandes. - E ele deu um largo sorriso, deixando a cicatriz evidente.
Parecia que a boca dele era rasgada.
A história daquela criança era tão dolorosa... Mas ele se mantinha firme. E talvez por isso, eu o amava e nem sabia. Na verdade, eu desprezava meu coração.
Eu senti o anel gelado correr por cima de um dedo. Eu tentava não me mexer, não respirar, não estragar aquele momento excitante.
-Mais tarde o meu mestre vai vim me buscar, Emi. Ele vai me levar embora. - Ele alisava minhas costas com sua mãozinha.
Eu, ainda menos do que ele, me encolhia, deixando algumas lágrimas fugirem.
-Não chora. Eu vou voltar. Eu prometo. - Ele arregalou os olhos, assustador, ainda sorrindo malicioso. - Você é a única pessoa, que eu juro, nunca irei machucar. Nem ferir. Nem magoar. Juro não, prometo. E promessa...
-É promessa. - Completei a frase, o abraçando também.
Aquelas duas crianças tão inocentes, talvez nem tanto, não sabiam o que iria acontecer mais tarde. Por causa daquelas promessas, promessas inocentes, iriam carregar um fardo.
Aquela criança, na verdade, era um monstro. E eu sabia. Talvez tenha sido criado assim. "Mate aqueles que não te forem convenientes." Mas pro meu azar, eu era conveniente.
Conveniente de mais."

Eu não quero respirar.
Eu não quero viver.
Já que apenas aquele monstro me quer.
Eu não preciso de mais ninguém.
Calada! O que estou dizendo?
Ele não é um monstro!
Eu o amo...
E sempre será assim.
Pro nosso azar.

E um sorriso malicioso se formou novamente.

Nenhum comentário: