domingo, 10 de outubro de 2010

[Draft] I'm sorry.

Me desculpa...

A gola da minha blusa quase me enforcou quando alguém me puxou para trás por ela. Deixei a chave cair no chão. Tossi e me virei para trás.
Kio estava com uma aparencia terrível. Em volta de seus olhos voltara a ficar preto e sua pele estava pálida. Só os cabelos e a cor dos olhos - um laranja ofuscante - continuavam os mesmos.
-Kio! E-eu vou dar uma saída rápida...
-Porque não avisou? - Ele me segurava firme pelo braço.
Não tanto como antes. Estava fraco agora.
-Porque vou descer para falar com o porteiro e já volto.
-E o que é isso? - Ele pegou o papel dentro de meu bolso superior do casaco.
-N-não é nada! Me devolva! - Tentei pegar com a outra mão, mas ele era muito alto e seu braço longo não permitiu que eu pegasse de novo.
Ele leu e bateu com a folha em cima da mesa de canto ao lado. O vaso de flores em cima dela quase caiu. Mas balançou e tombou em cima da mesinha.
-O que acha que vai fazer? Vai tentar encontrar aquela desgraçada?
Eu tremi com a voz irritada e meio rouca dele. Estavam formando poças em meus olhos.
-E-eu só... É isso! Eu quero, sim! - Gritei. - Me solte e me deixe ir!!
Quando foi tentar me puxar para a sala, ele quase tropeçou e caiu se eu não tivesse agarrado seu corpo.
-Kio-san! - Mas seu tronco foi escorregando por entre meus braços e eu tive que ficar de joelhos no chão para que ele não tombasse de mal jeito.
Ele tentou se levantar, mais estava fraco de mais. Seu corpo tremia.
-Baka! Eu não posso deixar voce ir. - Se sentou no chão e com seus braços compridos me puxou para perto de seu corpo. - Voce é um tanto retardada, não é? Eles não são mais nossa responsabilidade!
-Minha responsabilidade. - Sussurrei com a voz abafada em suas vestes.
Durante algum tempo houve um silencio. Até que ele me espremeu em seu abraço com mais força.
-Daqui voce não irá sair.
-Voce está fraco. Não consegue nem se sustentar em pé.
-Não importa! Se voce tentar escapar, eu vou atrás de voce nem que eu caia no meio do caminho! Eu jurei que iria te proteger perante todo o magistério! Jurei que não iria deixar voce voltar! Que não iria deixa-la morrer. - E ele tombou o rosto em meu ombro.
-Kio, não. Por favor, me deixa ir. Eu preciso salvar o nosso mundo. - Choraminguei.
-Que se dane nosso mundo! Voce não irá sair daqui!
Eu me soltei de seus braços com certa facilidade. Seus olhos tremiam de raiva. Ele queria me agarrar e nunca mais me soltar. Eu sabia disso. Mas eu não podia deixar. Eu precisava ir.
-Me desculpa. - Ele disse.
Um braço branco saiu de trás de seu corpo e foi chegando perto de minha perna.
-Kio-san! Não! - Eu me levantei e tentei correr para a janela atrás do sofá, mas dois dos braços de Kio me agarram e eu fui jogada no sofá. Nisso ele já estava de pé. Ele parecia com o garoto que eu tinha conhecido a anos atrás.
Ele segurou em meu cabelo e me puxou. Doeu e para evitar a dor tive que e levantar.
-Não vai ir a lugar nenhum, baka.
-Para! Me solta!
-Eu preciso te proteger e é isso que estou fazendo.
-Me larga! Seu, seu, seu monstro! - Gritei.
Eu falei sem pensar. Não devia ter dito.
Aquilo foi golpe baixo. Era a ferida que mais doía, a cicatriz mais funda. Eu não podia mexer naquilo.
Ele me soltou.
Ficou em silencio olhando para o assoalho.
-K-Kio... me desculpa. E-eu não quis dizer... - Tentei segurar em seu braço.
Mas ele o afastou violentamente de mim e me empurrou no sofá.
-Posso ser um monstro, mas eu jurei. E sabe - Ele riu sem vontade. - A vontade que tenho agora... é de nunca mais ve-la.
Aquilo foi uma facada. Meu coraçao se contorceu. Várias lágrimas saíram de meus olhos. Me levantei sobre o sofá para ficar a altura dele e chicoteei a mão em seu rosto pálido.
-Então eu quero que voce morra.
E me joguei pela janela. Os cacos de vidro entraram por minha pele, mas eu não senti. O escudo mágico de Noru me protegia.

Somos dois idiotas.

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