"Que idiota eu sou... Eu fugi. Fugi do que? Nem eu me entendo." Uma mão fria entrou por meio de meus cabelos que escondiam minha face, e tocou a lateral de meu rosto. Fiquei assustada com a aparição, mas depois percebi quem era, e nem ousei a levantar a cabeça.
-Ei, está ferida?
Suspirei, desviando o rosto com cuidado para não parecer grossa.
-Tá tudo bem. Eu... eu só arranhei meu ombro na grade antes de entrar aqui.
-Só arranhou na grade? Senti seu cheiro da minha sala.
Senti alguns pingos pesados de chuva começarem a chicotear em minha cabeça.
-Talvez eu tenha ralado meus joelhos, mas foi apenas um descuido. - Minha voz estava ficando estremecida.
Estava com vontade de chorar.
-O que houve?
-N-nada, Yen. Eu estou bem. Eu só quis vir para cá para esfriar a cabeça. O colégio, provas, trabalhos... É isso. - Menti, levantando a cabeça e forçando um sorriso.
Seus olhos vermelhos me encaravam pensativos. Eu sabia que era muito difícil enganar tanto Yen quanto Kevin. Os dois tinham uma capacidade incrível de ler a expressão e a voz das pessoas. Ele sabia que eu não estava dizendo a verdade.
-Seus olhos estão transbordando. Conte-me.
Desviei o olhar para os pés do vampiro. Tentei vagar entre meus pensamentos, mas com Yen me pressionando não havia como omitir.
-As vezes eu me esqueço que tenho obrigações mais importantes. - Ri sem vontade. - É apenas isso.
-Diga. - Ele disse aproximando o rosto, colocou a outra mão apoiada ao meu lado na parede desgastada.
Fiquei um pouco assustada. Os olhos de Yen brilhavam entre a névoa que se formava ali por conta da chuva.
-É s-sério. Não precisa se preocupar. - Resolvi não contraria-lo. Eu precisava mesmo desabafar aquela dor. - Eu só queria... ser uma pessoa normal. Ter a liberdade de sair com minhas colegas do colégio, ir ao cinema com elas, ficar até de noite fora de casa... Mas... - Meus lábios tremeram.
Minha mão cobriu minha boca e eu abaixei a cabeça de novo. As feridas nos joelhos e em meu ombro começaram a arder. Deixei algumas lágrimas escorrerem, mas me apressei para limpa-las.
Yen se afastou e virou-se, sentando ao meu lado. Passou as mãos frias por debaixo de meus braços e me puxou para o meio de suas pernas, me fechando em um abraço.
-Y-Yen, n-nã...
-Shh.
-Eu estou bem. Não preciso de consolo. É besteira de adolescente. - Fingi rir. - Eu logo vou ficar boa de novo. E... - Ele começou a chegar a boca para perto de minha nuca. - E-eu preciso ir agora!
Escapei de seus braços, engatinhando pela terra molhada que sujou minha roupa. Começou a chover forte naquele momento.
-Não pode voltar machucada... assim.
Eu sabia o perigo que estava correndo, mas naquele momento, eu não estava me importando muito.
Ele levantou-se, pegando em minha mão que tremia de frio. Me puxou com força para seu corpo e prendeu meu rosto segurando em baixo de meu queixo.
-M-me desculpa... não devia, não devia ter vindo. - Seus olhos tremiam. E de um momento para outro, sua expressão preocupada e gentil se tornou em um largo sorriso malicioso.
Sua mão fria explorou meu pescoço e desceu para meu ombro, onde adormeceu minha ferida. Ele se ajoelhou para ficar da mesma altura que minha cabeça e acariciou minha bochecha.
Eu estava séria. Sabia que Yen não podia se conter quando sente o cheiro de sangue. Mas algo dentro de minha cabeça prendeu meus pés ao chão e fechou meu rosto em uma enigmática expressão.
-Está tudo bem. - Eu disse, e soltei um suspiro.
Ele ergueu uma mão minha com delicadeza, encostando seus lábios frios em meu palmo. A princípio fosse um beijo, mas então senti como se fosse duas agulhas entrando em meu pulso. Com a dor, eu cai no chão, e apoiei minha cabeça em meu braço erguido. Usei o outro, ainda livre, para contorcer minha blusa. Doía tanto... Mas eu apenas não sentia vontade de correr, nem de gritar, nem de chorar. Aquela dor estava me fazendo bem, psicológicamente.
Mas então comecei a ficar tonta e tombei para cima de Yen, que me sustentou com facilidade enquanto continuava a consumir meu sangue com tanta intensidade que rapidamente me adoecia e enfraquecia.
Algo me puxou para longe do vampiro, que tentou me agarrar de novo. Mas então vi seu corpo ser jogado contra a parede e minha perspectiva crescer conforme nos afastávamos do solo, então adormeci.
-Shiro... - Grunhi.
(Se esse rascunho conter erros de gramática ou de digitação, ignorem. Estava com preguiça de reler. Faço isso qualquer outro dia.)
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